Sábado, 30 de Junho de 2007

O Yad Vashem da Polónia

Foi demarcada em Varsóvia, na Polônia, uma área de 13 mil metros quadrados, no local em que antes da II Guerra Mundial ficava o bairro judaico, em frente ao Monumento dos Heróis do Gueto, da renomada escultora N. Rappaport. Era exatamente nessa área que se localizava o Gueto de Varsóvia e é onde será construído, nos próximos anos, o Museu da História dos Judeus Poloneses que, como o nome diz, será dedicado à história da comunidade judaica no país. Para o diretor do projeto, Jerzy Halbersztadt, as novas instalações serão uma espécie de museu virtual, uma mescla de conteúdos e tecnologia interativa.
Segundo estudiosos, este projeto é o passo mais significativo já dado pelas autoridades polonesas, nos últimos dez anos, no processo de reconciliação com o povo judeu. A coordenação geral do museu está a cargo dos professores Israel Gutman, ex-historiador-chefe do Yad Vashem, em Jerusalém, e do professor Felix Tych, diretor do Instituto Histórico Judaico da Polônia. O prédio abrigará 133 exposições permanentes, retratando cerca de mil anos de história.
O arquiteto Frank Gehry – cujos pais vieram de Lodz – responsável pelo design do famoso Museu Guggenheim, em Bilbao, Espanha, aceitou o convite para projetar o Museu de Varsóvia. O acervo incluirá objetos de várias épocas, e até partes de jornais distribuídos no gueto, em 1942, quando os judeus estavam sendo deportados em massa para o campo da morte de Treblinka. Haverá, também, exposições sobre as diferentes fases da vida judaica no país.
O primeiro-ministro polonês, Leszek Miller, também se pronunciou, recentemente, sobre a integração da comunidade judaica em seu país, no passado. Ressaltou que, durante a Idade Média, quando os judeus da Europa eram expulsos da Inglaterra e da França, os governantes da Polônia, Henrique, o Piedoso, e Casimiro, o Grande, garantiam aos judeus os seus privilégios e a sua segurança, além de prover-lhes autonomia na administração de sua vida. “Foram estas circunstâncias que permitiram o desenvolvimento da cultura judaica na Polônia. O desaparecimento do judaísmo polonês foi uma grande perda não apenas para o mundo judaico, mas para a humanidade, como um todo, e contribuiu para o empobrecimento da própria Polônia. Nós temos a obrigação de restaurar a memória dos judeus poloneses e transmiti-la às futuras gerações”, afirmou o primeiro-ministro.

Thiago Cohen no Aliterações, metáforas e oxímoros
publicado por MJ às 19:36
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Muzeum Historii Żydów Polskich

O Museu da História dos Judeus Polacos inagurou hoje a versão inglesa do seu website.
Das galerias com as exposições permanentes deste futuro museu destacamos «O Holocausto dos Judeus Polacos 1939-1944» onde constará vária documentação, relacionada com os guetos de Varsóvia e Łódź e de outras cidades polacas e utilizada para mostrar a vida e morte de milhões de judeus polacos e europeus, antes e durante as acções de extermínio em massa. Nesta galeria estão presentes objectos que representam essa época mas não os horríveis eventos. Ali é proposto uma mostra das situações extremas e dos trágicos momentos que afectaram vítimas e testemunhas dos dois lados do muro.
publicado por MJ às 20:30
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Unesco muda a designação de Auschwitz

A pedido da Polónia que não quer que as futuras gerações pensem que este país teve algo a ver com o extermínio dos judeus praticado por Adolf Hitler, a UNESCO mudou o nome de «Campo de Concentração de Auschwitz» para «Auschwitz-Birkenau. Campo de Concentração e de Extermínio Nazi-Alemão (1940-1945)».
publicado por MJ às 10:29
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

Museu Judaico do Rio de Janeiro

Situado na Rua do México, 90 - 1º, no Rio de Janeiro, este museu possui um acervo documental constituído por mais de 300 obras sobre o Holocausto, depoimentos de sobreviventes, roupas e objectos como se pode comprovar pela consulta do seu site.
publicado por MJ às 21:52
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Nulla rosa est

Este texto foi publicado inicialmente no recomendável Aliterações, Metáforas e Oxímoros e é da autoria de Thiago Cohen.

No dia 27 de Junho de 1908, veio ao mundo em uma cidadezinha chamada Cordisburgo em Minas Gerais, João Guimarães Rosa, filho do comerciante e juíz de paz Florduardo Pinto Rosa, o conhecido seu Fulo, e de dona Francisca Guimarães Rosa, a dona Chiquitinha.

Mas o objetivo aqui não é falar sobre o homem que ficou internalizado em nossas memórias como o autor de Grande Sertão: Veredas, este livro consagrou-o em um país onde sempre existiu um abismo entre a norma culta da escrita e a língua falada. Não foi fácil para parte da intelectualidade compreender, como escreveu o filósofo Vilém Flusser, que Rosa se apoiava tanto no Sertão quanto na biblioteca.

O facto sobre o qual pretendo lhes falar se inicia na década de trinta, mais precisamente em 1938, quando Guimarães Rosa é nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo na Alemanha. Não tardou para que os nazistas exercitassem o seu ímpeto despótico e em 1942 puseram Rosa na prisão de Baden-Baden. É bem verdade que sua permanência na prisão não durou muito (apenas quatro meses), mas ainda assim o acto de colocar um membro da comissão diplomática brasileira na prisão não pode passar incólume. Cícero Dias, cognominado "o pequeno Chagall dos trópicos", que tentou adaptar para a temática dos trópicos a maneira do pintor, gravador e vitralista russo Marc Chagall, sofreu das mesmas agruras.

Lembrei-me deste facto em Yom Hashoá Vehagvurá deste ano, para os que não estão familiarizados, este é o dia do Holocausto e da bravura. Uma data lembrada por judeus do mundo todo. Pois foi neste dia, em uma sinagoga do Rio de Janeiro, que o imortal da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, recordou passagens da vida do académico que nos cativou com seus neologismos do sertanejo.

É importante nos recordamos que Rosa, assim como muitos outros não judeus, arriscaram as suas vidas e a de suas famílias quando saíram em defesa dos que eram injustiçadas pelo caudilho alemão. Estes homens eram conscientes de que existe somente uma fé: a da bondade. O médico Guimarães Rosa, pode ter abandonado o ofício da medicina, mas jamais abandonou o ofício de salvar vidas.

Em abril de 1985, Guimarães Rosa e esposa foram agraciados com a mais alta distinção que nós, judeus, prestamos a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém. A concessão da homenagem foi precedida por pesquisas rigorosas com tomada de depoimentos dos mais distantes cantos do mundo onde existem sobreviventes do Holocausto. Foi a forma encontrada pelo governo israelense para expressar sua gratidão àqueles que se arriscaram para salvar judeus perseguidos pelo Nazismo por ocasião da 2ª Guerra Mundial. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher citada no Museu do Holocausto em Israel como um dos 18 diplomatas (ou funcionários diplomáticos) que ajudaram a salvar vidas de judeus. É também o único nome de uma funcionária consular, e não de embaixador ou cônsul, o que só aumenta a dimensão do risco que correu: afinal, ela enfrentou o nazismo sem gozar das imunidades garantidas aos outros diplomatas homenageados, todos de escalões mais altos. Creio que muitos entre nós conhecemos essa mulher como “o anjo de Hamburgo”. Com certeza essa valorosa mulher tinha algo de Hannah Arendt.

Na qualidade de cônsul adjunto em Hamburgo, Guimarães Rosa concedia vistos nos passaportes dos judeus facilitando sua fuga para o Brasil. Os vistos eram proibidos pelo governo brasileiro e pelas autoridades nazistas, excepto quando o passaporte mencionava que o portador era católico. Sabendo disso, a mulher do escritor, D. Aracy, que preparava todos os papéis, conseguia que os passaportes fossem confeccionados sem mencionar a religião do portador e sem a estrela de David que os nazistas pregavam nos documentos para identificar os judeus. Nos arquivos do Museu do Holocausto, em Israel, existe um grosso volume de depoimentos de pessoas que afirmam dever a vida ao casal Guimarães Rosa. Segundo D. Aracy, que compareceu a Israel por ocasião da homenagem, seu marido sempre se absteve de comentar o assunto já que tinha muito pudor de falar de si mesmo. Apenas dizia: "Se eu não lhes der o visto, vão acabar morrendo; e aí vou ter um peso em minha consciência."

Drummond dizia que escrever “é a arte de cortar palavras”, uma definição da qual eu discordo, afinal, depois de ter ‘conhecido’ o grande Guimarães Rosa, para quem cada palavra era especial. Não se pode mesmo simplificar. Concordo com Antônio Cândido que disse certa vez “que sua obra assemelhava-se a do compositor húngaro Béla Bartók. Assim como no trabalho de Bartók, há um quê de rústico na linguagem de Rosa, onde tudo se transforma em um significado universal graças à invenção de uma linguagem que não existe. E aqui se poderia aplicar o enunciado latino nulla rosa est, usado pelo Abade Abelardo no século II e depois pelo lingüista Humberto Eco na ocasião do lançamento do livro Em nome da Rosa, para se referir não só as coisas desaparecidas, mas também as inexistentes. Para essas coisas valem os nomes.
*Este texto é uma homenagem ao cinquentenário do livro Grande Sertão: Veredas e ao célebre João Guimarães Rosa.
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publicado por MJ às 23:36
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

É interdito esquecer, transmitir é um dever

publicado por MJ às 00:44
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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

A terra continua a esconder vítimas do Holocausto

O jornal Público (19/06/07) traz no suplemento P2 duas páginas sobre um assunto que já tinha sido noticiado aqui e que reproduzidos de seguida. As fotografias são da autoria de Gleb Garanich/Reuters.

Foi descoberta na Ucrânia uma vala comum com os restos de milhares de judeus, mortos pelos nazis na II Guerra. As autoridades judaicas querem fazer ali um monumento.

O SEGREDO QUE SE ESCONDIA NO PRADO
As pessoas que vivem em Gvozdavka-1 (a cerca de 300 km a sul de Kiev) sabem que houve ali um campo de concentração durante a II Guerra, onde foram mortas pelo menos 5000 pessoas. Mas só em Abril surgiram provas indesmentíveis, quando a escavação para instalar tubagens de gás pôs a descoberto uma grande quantidade de ossos num prado onde os habitantes costumam apascentar as vacas.

«ATIRÁVAMOS-LHE BATATAS E PÃO»
Alguns dos judeus levados para aquele campo de concentração foram executados, outros morreram de fome e doença. «Eles punham a mão através da rede que cercava o campo, implorando comida. Atirávamos-lhes batatas e pão», recorda Olga Tomachenko, que hoje tem 78 anos. Só em Gvozdavka-1 pode haver mais quatro valas comuns de vítimas dos nazis e pensa-se que existem outras 700 na Ucrânia.
DEVOLVER DIGNIDADE ÀS VÍTIMAS
A descoberta levou a Gvozdavka-1 muitos rabis. Remexiam o campo, em busca de ossos de vítimas do Holocausto, para os voltar a enterrar, cuidadosamente, dizendo uma oração. Vestidos com grossas casacas pretas tradicionais e chapéus de aba larga, tentam recuperar a dignidade das vítimas. «O que vi aqui vai ficar comigo para o resto da vida», disse à Reuters o rabi Shlomo Baksht.
DEIXAR OS MORTOS EM PAZ
Seis milhões de judeus foram mortos pelos nazis durante a II Guerra Mundial. Mas nem todos foram cremados: os restos de milhões dessas vítimas do Holocausto enterrados em campas rasas na Europa de Leste e são revelados quando se fazem escavações. No caso de Gvozdavka-1, as autoridades judaicas não querem desenterrar as vítimas e tentar identificá-las – o que até seria possível, pois há registos, em arquivos israelitas e em Moscovo, das pessoas que para lá foram enviadas para morrer.
«Queremos resguardar o local. Estes judeus são santos, deixá-los estar onde estão» disse Yakov Ruza, rabi do Instituto de Medicina Forense L. Greenberg, em Israel, Para os historiadores estas descobertas revelam o assassinato sistemático feito pela brigada Einsatzgruppe C. «Todas as cidades mais importantes da Ucrânia tinham um ghetto e valas comuns», disse à Reuters o historiador Viktor Korol.
publicado por MJ às 18:30
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Campo de Concentracão de Auschwitz-Birkenau 2001

Na Primavera de 2001 Paulo Frank visitou o campo de extermínio de Auschwitz. São os apontamentos e as memórias desse local que agora aqui partilha connosco:
Libertos mas desorientados, perguntaram: "Para onde iremos?" E a resposta seca do soldado foi: "Olhem para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste: em qualquer lugar não quererão vocês!" Então, esqueléticos mas com uma chama viva em seu olhar, contemplam uma colina onde uma multidão de sobreviventes na mesma situacão canta: "Yerushalayin Shel Zahav Ve-Shel NechoshetVe-Shel Or", que quer dizer "Jerusalém de ouro, de luz e de bronze, sou o violino para todas as tuas cancões". Sim, em Jerusalém eles seriam estabelecidos, cumprindo-se profecias milenares. E assim eu assistia emocionado as últimas cenas do filme "A Lista de Schindler", de Steven Spilberg, que conquistou 8 Oscars na Academia de cinema, tornando-se o mais famoso de todos os filmes do tema Holocausto, a respeito do qual tantos livros lera.
Vivendo na Finlândia desde 1999, quando planejei minhas férias, incluí uma visita à Polônia, precisamente ao campo de concentracão de Auschwitz-Birkenau, chamado de o maior cemitério do mundo e memorial do martírio de judeus, poloneses políticos, ciganos e outras minorias perseguidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Antes de ingressarmos no local, assiste-se a um documentário de 20min. que mostra as atrocidades cometidas pelos nazistas, e muito do que vimos projetado veríamos ao vivo momentos depois. A duracão da turnê é de 3 horas e, surpreendenetemente, há milhares de pessoas visitando o campo diariamente - inclusive grupos de Israel e mesmo da Alemanha, o país que mais colabora para a manutencão do lugar, que foi estrategicamente escolhido pelos nazistas uma vez que se situa no centro da Europa, quase a mesma distância a ser percorrida pelos trens que faziam a deportacão de diversos países.

Logo à entrada do campo de Auschwitz depara o visitante com a irônica inscricão em ferro: "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta) e visitando os diversos prédios de dois andares pode-se ver, através de gigantescas vitrinas, exposicões de malas portando ainda os nomes de seus donos, de roupas, de sapatos (uma somente de sapatos de crianca), de óculos, de escovas, de cabelos (há uma amostra do tecido feito de cabelos) e, além de outras ainda, a dos chales de oracão de judeus, o que me emocionou e fez-me pegar a máquina fotográfica.

A visita continuava ao campo de Birkenau, a 5km dali, cuja estrada de ferro - com seus trilhos originais - atravessa um prédio com sua torre de vigia (foto), lugar conhecido de filmes e documentários. A perderem-se de vista, a partir dali, barracões de madeira e de alvenaria com suas respectivas guaritas e cercas antes eletrificadas. Visitamos diversos e vimos as camas onde se amontoavam os prisioneiros. Muitos prédios foram preservados em ruínas, com opropósito de mostrar que foram destruídos de forma proposital antes da chegada dos russos e dos americanos para liberarem o campo.

Em dado momento fiquei para trás do meu grupo. Estava no "lugar de selecão" junto aos trilhos (foto), devidamente ilustrado com ampliacões de antigas fotos, as quais se vê em muitos lugares. Logo ao desembarcarem, um médico nazista examinava superficialmente a pessoa e seu dedo polegar para cima ou para baixo determinava o seu destino: os trabalhos forcados ou imediatamente para as câmaras de gás... E assim milhões de homens, mulheres e criancas foram direto para as câmaras de gas, julgando que eram conduzidas a um"banho desinfetante".

Vimos réplicas das câmaras e também dos fornos crematórios, uma vez que os originais foram cuidadosamente destruídos para remover as evidências das atrocidades perpetradas pelos nazistas. Em volta dos prédios das câmaras de gás, para efeito de propaganda, havia um belo jardim florido. Vimos no mesmo local ruínas da casa do diretor do campo, e o local onde seus filhos brincavam como se nada estivesse acontecendo, retratados fielmente no filme de Steven Spilberg.Finalizando a turnê, nosso guia nos conduziu a um grande monumento em memória dos mortos, no fundo do campo, mencionando que caminhávamos sobre as cinzas de milhões de pessoas. No monumento, inscricões nos principais idiomas dos prisioneiros. Fiquei feliz por não encontrar nenhuma inscricão em português ou mesmo em finlandês! Segundo contava o meu saudoso sogro, o presidente da Finlândia, tendo como pretexto Obadias, vs. 11 a 14, não entregou os seus judeus aos nazistas.

Deixando o significativo e sinistro local, andei sozinho de volta à entrada do campo naquela tarde ensolarada na qual soprava um leve vento de primavera. Ao longo da caminhada, o texto bíblico de Isaías 53, que se refere ao sofrimento e morte do Messias, Jesus, como nunca sentia aplicacão à morte do povo judeu naquele e em outros campos de concentracão: ... desprezado... o mais rejeitado... de dores... oprimido... traspassado... moído... pisado... humilhado... como cordeiro levado ao matadouro... como ovelha muda perante seus tosquiadores (no caso, seus algozes) não abriu a sua boca (segundo sobreviventes, muitos morriam calados). Mais tarde, comentando com um estudioso da Bíblia o facto de o livro de Isaías ter-me vindo estranha e tão fortemente à lembranca em Birkenau, falou-me que o texto que pela primeira vez eu associava também ao extermínio dos judeus de fato tem sido aplicado ao holocausto, o que eu desconhecia até então.E estranhei também o sentimento de paz que me inundou naquela visita, paz provinda da fé de que o Messias certamente Se revelou àquelas pessoas antes de sua morte e as recolheu para Si. Foi uma experiência e tanto, somada a tantas outras, como à visita ao Museu Anne Frank em Amsterdam, à dramatizacão que fizemos do seu Diário, tendo sido assistida por um sobrevivente de Auschwitz, e a tantos livros, reportagens, depoimentos e filmes acerca do Holocausto. Algo de que não me esqueco é a declaracão de um rabino na TV: "A maior vinganca contra Hitler é o facto de judeus viverem actualmente na Alemanha e terem suas sinagogas, museus, associacões e monumentos. De facto, impressionei-me ao visitar Berlim ao ver uma grande placa à porta de uma estacão de metrô onde eram enumerados os diversos campos de concentracão nazistas e os dizeres "Não esquecamos".

Por certo o que de mais recente li sobre o Holocausto seja isto: Pelas cidades de toda a Alemanha, pequenas placas metálicas estão sendo implantadas nas calçadas diante de determinadas casas. Um artista alemão criou-as e chamou-as "pedras de tropeço". Em cada uma delas há a inscricão do nome dos antigos proprietários da casa confiscada pelos nazistas, as datas de nascimento e também as datas e locais onde morreram. Gunter Deming, o criador dessas placas, declarou: "Podemos abrir um livro e ler a respeito dos seis milhões de judeus exterminados, juntamente com cinco milhões de outras pessoas, mas mesmo assim talvez não possamos chegar à profundidade do que ocorreu. Mas se, ao ver a placa, nos lembramos de que um homem ou uma mulher - ou mesmo uma família - que viveram naquela casa específica morreram no Holocausto, é muito diferente!" "A pena de Anne Frank foi mais poderosa do que a espada de Hitler", alguém sabiamente escreveu. Outro declarou: "Os judeus foram exterminados por um homem que, por querer se adorado como deus, odiava principalmente o povo de Deus."E, finalizando, recomendo a leitura do livro "Exodus", de Leon Uris, o qual li há precisamente 40 anos, perdurando o meu grande amor pelo povo judeu desde aquele longínquo ano de 1966.
publicado por MJ às 22:08
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Domingo, 17 de Junho de 2007

Pio XII - culpado ou inocente?

Durante a presentação de um novo livro "Pío XII. Eugenio Pacelli, um homem no trono de Pedro", de autoria do vaticanista italiano, Andrea Tornielli, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário-Geral da Santa Sé, afirmou que a acusação de que o Pio XII fechou os olhos ao Holocausto não passa de uma «lenda negra» e que o Pontífice trabalhou na sombra para salvar muitos judeus.
Para ilustrar esta afirmação contou que o Vaticano tentou alistar judeus nas suas forças de segurança. Em Outubro de 1943, o Vaticano pediu autorização aos alemães para constituir uma força policial – a Guarda Palatina – constituída por 1425 homens e com o objectivo de vigiar o Vaticano e os edifícios da Igreja, em Roma. As forças alemãs e os fascistas pediram o nome, a data de nascimento e a origem racial destes homens e a nossa gente disse que não, concluiu o Cardeal.
Bertone não deu outros detalhes, mas naquele mês os nazis prenderam os judeus do gueto de Roma, a maioria dos quais pareceu no campo de extermínio de Auschwitz, enquanto algumas famílias católicas arriscaram a vida para esconder algumas centenas.
Marcello Pezzetti, perito em história hebraica, mostrou-se perplexo perante as afirmações de Bertoni. «Se o Vaticano tem estes documentos deve mostrá-los», referindo-se aos documentos citados pelo cardeal que continuam secretos.
O secretário de Estado vaticano assegurou que Pio XII (cujo pontificado durou de 1939 a 1958) foi um papa "prudente", e que as razões dessa prudência foram apresentadas por ele mesmo, em 1943, quando disse que seu comportamento era "no interesse dos que sofrem, para não agravar sua situação".
O Cardeal Bertone argumentou que uma campanha da Igreja contra Hitler, então, teria carretado não apenas uma espécie de "suicídio premeditado", mas teria também "acelerado a eliminação de um maior número de judeus e de sacerdotes".
No seu livro, Tornielli conta que Hitler considerava Pio XII como "um inimigo".
Tendo pontificado nos duros anos do nazismo, Pio XII é acusado, por numerosos historiadores, de ser antisemita e de não ter elevado sua voz com mais força, contra o regime hitleriano, acusação que sempre foi rechaçada pela Santa Sé. Da mesma forma, os judeus sempre lhe atribuíram um "silêncio culposo" diante do Holocausto.
publicado por MJ às 14:30
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Historiador do Holocausto ganha 'Prémio da Paz dos Livreiros Alemães'

O Prémio da Paz dos Livreiros Alemães foi hoje atribuído ao historiador israelita Saul Friedlander, pelos seus trabalhos sobre o Holocausto, entre cujas vítimas se contam os seus pais.
Em comunicado, a Associação dos Livreiros Alemães sublinha que Friedlander, 74 anos, é um dos últimos historiadores que testemunharam a "perseguição e a destruição dos judeus na época do terror nazi na Europa".

O historiador "permitiu a homens e mulheres reduzidos a cinzas fazerem ouvir uma queixa, um grito. Deu-lhes uma memória e os seus nomes" - acrescenta. Existente desde 1950, o Prémio da Paz dos Livreiros Alemães foi atribuído em 2006 ao ensaista e sociólogo alemão Wolf Lepenies, e em 2005 ao escritor turco Orhan Pamuk, que um ano mais tarde ganhou o Prémio Nobel da Literatura.

Saul Friedlander nasceu em 1932, em Praga, filho de pais judeus que foram mortos em Auschwitz, sendo sobretudo conhecido pela sua obra "O Terceiro Reich e os Judeus", considerada uma síntese do seu trabalho como historiador.

Após um primeiro volume sobre "Os Anos da Perseguição" (1933-1939), editado em 1997, acaba de publicar um segundo volume intitulado "Os Anos do Extermínio" (1939-1945).
publicado por MJ às 23:47
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Visita obrigatória

Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes
Objectivo do MVASM
Concretizar a Investigação histórica sobre Aristides de Sousa Mendes e o correspondente contexto histórico.
Identificar, o maior número possível, das 30.000 pessoas salvas por Aristides e seus descendentes.
Colocar Portugal na Rede Internacional do Holocausto, devido à acção de Aristides de Sousa Mendes.
Promover a figura de Aristides de Sousa Mendes, ao possibilitar o conhecimento e o acesso ao conhecimento, de uma grande figura Nacional e Mundial – Aristides de Sousa Mendes que, em condições muito adversas, salvou cerca de 30 000 vidas. (Há semelhança de Oskar Schindler, Aristides poderá ser considerado o Schindler Português. Schindler que salvou na II Guerra Mundial cerca de 1 200 vidas tornou-se mundialmente famoso, através do filme de Steven Spielberg)
Divulgar este Património Imaterial Nacional, é cumprir de uma forma pioneira – através da utilização das Novas Tecnologias - uma função social e pedagógica da maior importância e actualidade.
Possibilitar que, a qualquer hora, em qualquer lugar do globo, qualquer um possa conhecer o Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes e Portugal.
Construir as bases para um Centro de Documentação, que poderá ser concretizado numa exposição, num documentário e até na futura Casa-Museu, criando-se assim, uma relação directa e optimizada de custos/ execução.
publicado por MJ às 17:51
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

Parabéns (com um dia de atraso)

Se fosse viva, ontem teria completado 78 anos.
Anne Frank
Frankfurt am Main, 12 de Junho de 1929 — Bergen-Belsen, início de Março de 1945
publicado por MJ às 11:45
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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

Shoah Connect

O Yad Vashem acumulou milhões de Páginas de Testemunho documentando as vítimas individuais do Holocausto. Muitas vezes estas «páginas de testemunho» foram submetidas por membros das famílias das vítimas, e podem, portanto, servir para reunir as famílias separadas pelo Holocausto. Têm ocorrido exemplos dramáticos de irmãos que se encontraram desta maneira. No entanto, apesar das «páginas» geralmente conterem informações de contacto da pessoa que as submeteu, tendo em vista o longo tempo decorrido desde que o formulário foi submetido frequentemente é difícil aos parentes das vítimas contactarem essa pessoa. O ShoahConnect pretende ajudar a resolver este problema, permitindo associar endereços de e-mail a determinadas «Páginas de Testemunho» - associação esta que o interessado estabelece. O ShoahConnect é totalmente grátis e protege a sua privacidade.

Logan Joseph Kleinwaks, o autor do projecto, procura parceiros brasileiros que o ajudem a divulgar junto da comunidade judaica do Brasil.
A possível oferta de um designer para desenhar um cartaz de divulgação desta iniciativa será bem-vinda.
publicado por MJ às 18:56
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

O Museu Anne Frank em Amsterdam

Paulo Franke vive na Finlândia e registou no seu blog a viagem efectuada em 1973 à Casa-Museu de Anne Frank. Recuperamos aqui aquele momento único e tocante na sua vida.
Era o mês de julho de 1973, mês em que fiz minha primeira viagem à Europa.

Naquela manhã de verão em Amsterdam, deixando o hotel do Exército de Salvacão (Leger des Heils no idioma holandês), caminhei pelas ruas ainda desertas e me dirigi ao local que há muito queria conhecer: o Museu Anne Frank.

No meu diário, a lembranca do diário dela
O sino da igreja de Westerkerk anunciava que eu chegara cedo demais. Decidi, então, sentado à beira do canal diante da casa tipicamente holandesa, preencher o tempo escrevendo o meu diário de viagem, aproveitando o ambiente calmo e convidativo ao redor. E nele registei a grande expectativa e emocão que me inundavam diante da oportunidade de conhecer o histórico lugar. À mente vinham as recordacões de tudo o que lera a respeito do holocausto de seis milhôes de judeus, perpetrado pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, desde o "O Diário de Anne Frank" aos livros de Leon Uris que, somados às histórias contadas por meu pai - de quem herdei profunda simpatia pelo povo judeu - contribuíram para o meu conhecimento do assunto.Se a emocão do momento era forte para mim, um mero turista, o quanto não teria sido para Otto Frank, voltando ao local após a guerra como o único sobrevivente do grupo que ali se escondera por dois anos! Foi nessa visita dolorosa que lhe entregaram o diário de sua filha Anne, encontrado na confusão em que ficara o lugar após terem sido descobertos.

Uma página tenebrosa na História
Em maio de 1940, as tropas alemãs invadiram a Holanda inesperadamente. Em cinco dias o país teve de capitular. Cinco anos de terror dominaram a nacão, sendo cruel a perseguicão aos judeus holandeses. Otto Frank, que viera da Alemanhã em 1933, fugindo da perseguicão nazista, decidiu refugiar-se com sua família nos compartimentos do andar superior de seu próprio escritório, que utilizava para armazenar suas mercadorias. À sua família veio unir-se a família Van Daan (o casal e o filho Peter) e o dentista Sr. Dussel. Transcorridos dois anos, agentes da Gestapo, alertados por uma denúncia anônima, descobriram o esconderijo em agosto de 1944. No dia em que as tropas aliadas libertaram Bruxelas (setembro de 1944), partiu o último transporte com destino ao campo de concentracão de Auschwitz. Os oito refugiados estavam naquele trem. Anne, no entanto, morreu em outro campo de concentracão.

No Anexo Secreto, uma oracão profunda
Ao percorrer aquelas salas, conservadas em seu estado original pela Fundacão Anne Franke, o silêncio fala alto e a emocão é nítida no semblante das pessoas presentes que conhecem ou que passaram a conhecer, através da visita ao museu, a história trágica e ao mesmo tempo tão cheia de ternura. Depois de permanecer ali por mais de uma hora, deixei o local agradecendo a Deus pela liberdade e fazendo dos alvos da Fundacão a minha prece silenciosa: "Despertar os homens, assim como faz 'O Diário de Anne Frank', de sua responsabilidade para com o próximo, eliminando para sempre os preconceitos que levam a todas as formas de discriminacão, e que nunca mais se reproduza no mundo o cenário cruel do Holocausto.

"Nota:
Duas fotos foram tiradas em 1973, quando era ainda era possível ingressar com facilidade e mesmo fotografar o local. Uma delas mostra a entrada do anexo, encoberta por uma estante. A outra o quarto de Anne, com suas fotos de artistas da época na parede. Na foto de 2001, desisti de entrar no museu pelo pouco tempo que dispunha em vista da fila imensa que contornava o quarteirão, provando ao mesmo tempo a popularidade crescente da história de Anne Frank, "...cuja pena foi mais poderosa do que a espada de Hitler".

Emocionante visita à antiquíssima Sinagoga Portuguesa de Amsterdam, cuja Arca da Alianca foi reconstruída, em 1956, com jacarandá do Brasil! Terá Otto Frank levado sua família para conhecer essa histórica sinagoga? Leia mais a respeito procurando no Google: Amsterdam Portuguese Synagoge.
publicado por MJ às 21:45
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Sábado, 9 de Junho de 2007

Ensinar o Holocausto

Pretendendo aliar a pesquisa na net ao estudo do Holocausto, a professora Fátima Gomes criou um blogue de apoio ao estudo do nazismo e do Holocausto para os seus alunos do 9º ano. Alguns trabalhos práticos e ligações para os alunos explorarem são uma valiosa ferramenta de elevado potencial e que começa a ser explorada na tentativa de culmatar a fraca bibliografia existente.

Dedicado essencialmente a professores, alunos e encarregados de educação vai ser publicado brevemente em Portugal a tradução do livro de Jean-Michel Lecomte, «Ensinar o Holocausto no Século XXI», editado originalmente em francês pelo Conselho da Europa.
publicado por MJ às 11:41
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Pensar o impensável: Filosofia e Holocausto

Artigo de José Caselas, Escola Secundária de Miraflores, publicado no blogue de Rolando Almeida.

Este artigo resulta de uma comunicação/debate realizada na Esc. Sec. de Miraflores (28.11.2006), para turmas do 12º Ano com a disciplina de História. Embora não tendo a disciplina de Filosofia no seu currículo, estes alunos estão perfeitamente capazes de compreender conceitos filosóficos transversais e pensar novas categorias do político, desde que exista essa parceria entre professores de Fil/Hist.

Se aceitarmos a análise de Hannah Arendt, o campo [de concentração ou extermínio] é inseparável da organização totalitária. Ele concretiza o principal objectivo do sistema totalitário que compreende duas fases conectadas entre si: a constituição de uma comunidade do povo (Volksgemeinschaft) com um futuro auspicioso e utópico numa sociedade perfeita e a concomitante exclusão dos que não têm direito de cidadania. O campo, o Lager, surge, assim, como o lugar de exclusão da ordem jurídica e de erradicação da vida que não merece viver, que é indigna de viver (lebensunwerten Leben). Este será o ponto de chegada de Agamben ao tomar o campo num sentido alargado a todo o domínio político da modernidade, fazendo do evento dramático de Auschwitz a viragem biopolítica por excelência do nosso tempo.
No seu artigo “As técnicas da ciência social e o estudo dos campos de concentração”
[1], Arendt sublinha a dificuldade de compreensão do totalitarismo pela necessidade de punir pessoas inocentes e a natureza antiutilitária do campo que o diferenciava das prisões, dos guetos e dos campos de trabalhos forçados. O campo de concentração é o expoente máximo do sistema totalitário porque consuma a experiência da dominação total transformando o ser humano num ser condicionado, desintegrando a sua personalidade e a pessoa jurídica.

A biopolítica e os regimes totalitários (Foucault e Agamben)

Foucault introduz o conceito de biopoder em 1976, destacando a partir de finais do séc. XVIII a possibilidade de uma politização da vida, do ser biológico, do encontro entre a História e o biológico, o corpo. Qual o objecto dessa biopolítica? São os processos de conjunto da população, que visam fenómenos globais como a reprodução, a natalidade e a morbidade, a proporção de nascimentos, taxa de reprodução, fecundidade, natalidade e longevidade. Para ele o biopoder foi um elemento indispensável no desenvolvimento do capitalismo, a fim de assegurar o controlo dos corpos pelo aparelho produtivo. O sexo funcionou também como regulação das populações (a descendência, a saúde colectiva) a sexualização da infância e a histerização do corpo da mulher.
Desse modo, a biopolítica é uma tecnologia de poder que não se aplica ao homem individual, ao homem-corpo, mas ao homem-espécie enquanto população. É portanto, a gestão da população que está em causa nesta tecnologia, tendo como objectivo o incremento da vida e as instituições de assistência. Ao contrário da soberania, centrada no corpo do rei, logo feudal, uma soberania que fazia morrer e deixava viver, a biopolítica é um outro tipo de regulamentação que se centra na vida, que consiste em fazer viver e em deixar morrer; uma bio-regulamentação operada pelo Estado. Assim, o conceito de biopoder elaborado por Foucault é um instrumento poderoso para pensar o genocídio nazi. Ele surge tematizado na última sessão do curso «Il faut défendre la société» e no último capítulo do primeiro volume da História da sexualidade, quando se alude precisamente a esse momento em que a vida, o bios, é inserido no domínio político – a estatização do biológico – . Foucault, encontra no nazismo uma faceta paradoxal, expondo à morte não só os inimigos mas os próprios cidadãos. O que permite que o biopoder, como intensificação da vida, passe a exercer uma função de morte e aniquilação como no nazismo? Como pergunta Foucault: «De que modo esse poder, que tem essencialmente como objectivo fazer viver, pode deixar morrer? Como exercer o poder da morte, como exercer a função da morte, num sistema político centrado no biopoder?»
[2] O que provoca esta viragem na biopolítica é o racismo, visto que este visa a morte do outro, da raça nefasta ou inferior, mantendo a mais pura, a que é considerada sadia. Mais do que um heterofobia, ele constitui sobretudo um princípio eugénico.
É o racismo que assegura a cisão entre os que devem beneficiar de todas as garantias de segurança vital e os que devem ser aniquilados. O exemplo mais flagrante é o arranque do programa de eutanásia na Alemanha nazi, com a aniquilação dos próprios cidadãos deficientes mentais e outros. Como escreve Foucault: «O racismo, acho eu, assegura a função de morte na economia do biopoder, segundo o princípio de que a morte dos outros é o fortalecimento biológico da própria pessoa na medida em que ela é membro de uma raça ou de uma população, na medida em que se é elemento numa pluralidade unitária e viva.» «Portanto, o racismo está ligado ao funcionamento de um Estado que é obrigado a utilizar a raça, a eliminação das raças e a purificação da raça para exercer o seu poder soberano.»
[3] A depuração da raça é uma intervenção biopolítica que exigiu a utilização de conceitos científicos e psicológicos como a hereditariedade e o instinto.[4] Este dispositivo de poder/saber sustentava a Volksgemeinschaft segundo a falsa ideia de uma absoluta coesão do povo alemão que seria dissemelhante de todos os outros povos, com o projecto de uma raça nova a criar no futuro.
O domínio das massas no sistema totalitário trata desse alargamento à população mas circunscrita a uma comunidade, como os arianos no caso do nazismo, com exclusão de todos os que não são dignos de lhe pertencer. A exaltação desse sentimento völkisch é um dos traços distintivos racistas mais evidentes no nazismo. Em 1935 a Lei de Cidadania do Reich (Reichsbürgergesetz) distinguia entre cidadãos e residentes. Os primeiros eram os alemães que poderiam servir o povo e a nação. Os judeus estavam excluídos da capacidade de cidadania e inscreviam-se naquela segunda categoria juntamente com as mulheres solteiras.
Por seu turno, Agamben ao fazer um uso lato do conceito de biopoder inverte a lógica foucaultiana, identifica-o com o poder soberano, o poder de fazer morrer ou deixar viver. Para Agamben o poder soberano produz a vida nua (nuda vita), o Homo sacer, ou seja, aquele que é destituído de direitos; qualquer um pode matá-lo sem cometer homicídio. Escreve Agamben : «[…] é que os judeus não foram exterminados ao longo de um louco e gigantesco holocausto, mas literalmente, como Hitler tinha anunciado, «como piolhos», isto é, como vida nua. O plano em que se deu o extermínio não é o da religião nem o do direito, mas o da biopolítica.»
[5]
Se para Foucault, o biopoder remete ainda para a norma – a sociedade de normalização – uma norma, contudo, que não é jurídica mas institucional, que está presente nas instituições como suplemento de poder que funciona em rede, nas micro-vigilâncias, para Agamben, o poder constituinte e o soberano excedem a norma; de tal forma que a decisão soberana suspende toda e qualquer ordem jurídica (o soberano é o que decide sobre o estado de excepção). As duas perspectivas são juridicamente anti-normativistas embora Agamben inscreva convictamente a soberania na sua relação com a vida nua, isto é, a relação essencial entre esta e a violência jurídica. Neste contexto, ele identifica a democracia com os Estados totalitários concluindo que todos somos potenciais Homo sacer.
[6] Se em Foucault, a biopolítica mantém o seu carácter paradoxal, oscilando entre a intensificação da vida e o excesso mortífero, para Agamben ela é sobretudo produção da vida nua, que nos atinge a todos real ou virtualmente.

Democracia e estado de excepção

Poderemos legitimamente erigir a sociedade concentracionária, o campo, a paradigma político contemporâneo, matriz totalizadora da democracia e da modernidade, como faz Agamben? Os historiadores traçam de Hitler um perfil que se adequa melhor a uma dominação carismática de monarca feudal reinando num caos sem sistema, com uma erosão da administração pública, que muito pouco se compatibilizaria com uma democracia parlamentar.
[7] Quem lê os relatos dos sobreviventes, verifica igualmente quão exagerada pode parecer a formulação de Agamben ao fazer do campo o nomos da modernidade. Basta atendermos à descrição feita por David Rousset em O Universo concentracionário onde o próprio diz que os vários campos têm pouco de comum com o homem parisiense, de Toulouse ou de Nova Iorque.[8] Estamos em 1946/47 precisamente na mesma altura da obra de Primo Levi, Se isto é um Homem, e Rousset fala-nos de situações de violências quotidianas, sem hierarquias de idades ou profissões. Os campos chefiados pelos Kapos, criminosos de delito comum arregimentados para provocar uma expiação sem fim dos detidos, vão muito para além da destruição física; trata-se de um universo de corrupção generalizada e desordenada apesar da intensa burocracia, onde uma vida pode ser trocada por uma sopa através da delação.
«A tese de uma íntima solidariedade entre democracia e totalitarismo […] deve ser firmemente mantida porque só ela nos permitirá orientar face às novas realidades e às imprevistas convergências deste fim de milénio, abrindo o caminho para a nova política que está em grande parte por inventar.»
[9] Nesta aproximação Agamben toma demasiado à letra a tese de Schmitt que conduz à ideia de que a excepção se incorpora na esfera jurídica devido ao papel do soberano. Por outro lado, Benjamin defende, contra Schmitt que vivemos num estado de excepção permanente, fora de toda a ordem jurídica. A obra de Agamben, O que resta de Auschwitz vai nesse sentido, corroborando posições já assumidas por Primo Levi. Para o autor, a modernidade possui como matriz política oculta o estado de excepção, facto que desvaloriza a democracia representativa, relegando todo o sistema político para um reino de meios sem fins, pleno de arbitrariedades. Se o soberano para Schmitt define a estrutura topológica do estado de excepção (uma vez que ele está dentro e fora da ordem jurídica) é porque a sua palavra tem força de lei (Gesetzeskraft). Agamben destaca a especificidade do nazismo e do estalinismo, com o seu culto da personalidade e a constante indistinção entre o partido e o Estado. Se concordarmos com Agamben, ao defender que na modernidade o Estado de excepção se tornou a regra, somos todos Homo sacer, expostos à violência gratuita, e o nosso sistema político possui dissimulada uma localização deslocante, um campo, onde aparentemente a ordem jurídica está legitimada pela vontade popular mas na verdade a norma jurídica não vigora. Para o autor, é a vida biológica que constitui a charneira entre a democracia e o totalitarismo.[10] É evidente que existem algumas modalidades de campo (onde avultam exemplos como Guantanamo, Abu-Grahib, etc) mas poderemos generalizar sem mais esta noção? Por outro lado, cabe perguntar: em que medida o totalitarismo deu origem a uma politização e a uma medicalização da vida que se mantém ainda hoje? O equilíbrio entre estas duas interrogações não é pacífico, tal como resulta polémico afirmar que as democracias parlamentares são virtualmente idênticas aos Estados totalitários, nazi e estalinista, tal como defende Agamben. Sabemos que na ditadura nacional-socialista e bolchevique não existia oposição, o Estado era uma fachada e a palavra do líder fazia a lei muitas vezes apenas verbal (Führerprinzip). No entanto, se tivermos em conta que as condições ideológicas não se diferenciam totalmente, podemos compreender que a radicalidade com que Agamben coloca a questão não deixa de ter alguma pertinência.
Para Agamben, o campo é o instrumento biopolítico por excelência porque é aí que a vida nua é destituída do seu valor jurídico e exposta à morte. E, mais do que isso, trata-se de um acto que não pode ser testemunhado, visto que nem mesmo os sobreviventes podem dar conta do que ali ocorreu mas apenas os «muçulmanos». O campo é, nestes termos, o espaço de indistinção entre o facto e o direito, entre a excepção e a regra.
[11]
É perigoso fechar os olhos ao que aconteceu na região polaca de Auschwitz, ou em Buchenwald, perto de Weimar onde Goethe tinha uma casa de campo; tal como pode parecer excessivo ver em todo o lado sucursais do Lager alemão.
Esta medicalização da sociedade não foi uma invenção totalitária; a investigação genealógica de Foucault põe a descoberto que a intervenção da medicina, como instância de controlo social fez-se a partir do séc. XVIII não se situando apenas no aparelho de Estado, no que ele designa como nosopolítica.
[12]
O papel da medicina e da biologia foi relevante durante o totalitarismo chegando a desenvolver-se um darwinismo social onde vigorava a lei do mais forte; «[…] os médicos nazis passaram a desempenhar uma parte vital no processo do morticínio sistemático. Foram os médicos que tomaram a decisão que foi fundamental para o prosseguimento da operação levada a cabo em Auschwitz: quem, dos que chegavam nos transportes, devia continuar a viver e quem estava destinado a morrer. A participação activa da classe médica neste processo de selecção era essencial para os nazis por duas razões – uma de ordem prática e outra de ordem filosófica.»[13] Este papel dos médicos conferia credibilidade científica à selecção.
A doutrina de Schmitt exposta na sua obra Teologia política intenta, assim, uma resposta à observação de Benjamin sobre a existência de uma violência pura e anómica, remetendo-a para um contexto jurídico. «O estado de excepção é o espaço onde ele tenta enquadrar a ideia benjamiana de uma violência pura e inscrever a anomia no próprio corpo do nomos.»
[14] O campo põe em acção uma violência anómica devido ao estado de excepção decidido pelo soberano; apenas este pode decidir pela suspensão da norma porque está dentro e fora dela. Se pensamos que muitas das decisões políticas na Alemanha nazi se deviam à simples «vontade do Führer», entendemos o alcance deste decisionismo em Schmitt.
O totalitarismo é inseparável da medicalização, da intervenção biológica e médica na ordem social, processo que não só não desapareceu da sociedade actual como conheceu um incremento considerável. Toda a linguagem de Hitler transbordava de imagens de doença, infecção, contágio e pestilência.
[15]
Neste esforço para pensar o impensável, Agamben (a vida nua), Arendt (o totalitarismo, o refugiado), Schmitt (o estado de excepção), Benjamin (a violência pura), Bauman (o genocídio), a filosofia encontra o seu limite, reivindica para si a tarefa de conciliar razão e violência.
Agamben defende que a máquina biopolítica continua a produzir a excepção soberana desde a primeira guerra mundial, atravessando o fascismo e o nacional-socialismo, até aos nossos dias. Esta máquina que atingiu agora o seu apogeu poderá levar o Ocidente à guerra civil mundial.
[16]
É preciso re-equacionar o biopoder à luz das resistências e dos conformismos, no ponto em que a vida pode eventualmente escapar à politização para que o campo, sempre no horizonte, não se transforme numa realidade presente como nos doze anos de nazificação da Europa.

Notas
[1] Arendt, H., Compreensão e Política e Outros Ensaios, Relógio d’Água, 2001, p. 146.
[2] Foucault, «Il faut défendre la société», Cours au Collège de France, 1976, p. 227.
[3] Foucault, «Il faut défendre la société», p. 230.
[4] Tecnologia do instinto é o que Foucault designou o movimento de eugenia sob o nazismo aproximando-o mesmo da Psicanálise: «Tecnologia do instinto: eis o que foi o eugenismo desde os seus fundadores até Hitler. Por outro lado, tivemos em face da eugenia, a outra grande tecnologia dos instintos, o outro grande meio que foi proposto simultaneamente, numa sincronia notável, a outra grande tecnologia da correcção e da normalização da economia dos instintos que é a psicanálise.» Les Anormaux, Cours au Collège de France, 1974-1975, p. 124.
[5] Agamben, Homo sacer, Il potere sovrano e la nuda vita, Piccola Biblioteca Einaudi, 1995, p. 127. E reforça: «O totalitarismo do nosso século tem o seu fundamento nesta identidade dinâmica entre a vida e a política e, se não a tivermos em conta, permanece incompreensível.» Ibid., p. 165.
[6] Agamben, Ibid., p. 127.
[7] Cf. a este respeito, Ian Kershaw, Hitler, Gallimard, 1995, p. 313; David Welch, Hitler, Perfil de um ditador, Ed. 70, 2001, p. 117. Esta última apresenta em poucas páginas uma síntese brilhante sobre o nazismo.
[8] Rousset, D., L’univers concentrationnaire, Les Éditions de Minuit, 1965, p. 47.
[9] Agamben, op. cit., p. 14.
[10] «E é justamente na medida em que a vida biológica com as suas necessidades se tornou por todo o lado o facto politicamente decisivo, que é possível compreender a rapidez, que seria de outro modo inexplicável, com que no nosso século as democracias parlamentares se tornaram Estados totalitários e os Estados totalitários se converteram quase sem solução de continuidade em democracias parlamentares.» Agamben, op. cit., p. 134 (sublinhado nosso). Zygmunt Bauman em Modernité et holocauste, La fabrique éditions, 2002, também alerta nesse sentido: «Numerosos traços das sociedades «civilizadas» contemporâneas encorajam o recurso a holocaustos genocidiários.», p. 148.
[11] É o que Agamben defende literalmente, acrescentando que sempre que estas condições se realizam estamos em presença de um campo: «Se questo è vero, se l’essenza del campo consiste nella materializzazione dello stato di eccezione e nella conseguente creazione di uno spazio in cui la nuda vita e la norma entrano in una soglia di indistinzione, dovremo ammettere, allora, che ci troviamo virtualmente in presenza di un campo ogni volta che viene creata una tale struttura.» op. cit., p. 195.
[12] Cf. «La politique de la santé au XVIIIe siècle» e «Crise de la médecine ou crise de l’antimédecine» in Dits et écrits, Vol. III, Gallimard, 1994.
[13] Rees, Laurence, Auschwitz, Os nazis e a «solução final», D. Quixote, 2005, p. 243. Robert Proctor em Racial Higiene, Medecine under the nazis, Massachusetts/London: Harvard University Press, 1988, sublinha o papel dos médicos numa época em que o próprio Hitler era visto como o médico do povo alemão surgindo ao lado de Gerhard Wagner chefe da Liga dos Médicos Nacional-Socialistas. Da mesma forma, a biologia aplicada à política desempenhou uma função relevante na chamada ciência racial. «Não eram apenas os Judeus ou os deficientes mentais ou físicos, mas outros grupos estigmatizados também como “doentes” e “degenerados” pelos cientistas raciais da Alemanha. Judeus, ciganos, comunistas, homossexuais, atrasados mentais, tuberculosos, e uma vasta classe de “antisociais” (alcoólicos, prostitutas, toxicodependentes, sem-abrigo e outros grupos) estava toda destinada à destruição.» Proctor, op. cit., p. 212.
[14] Agamben, Stato di Eccezione, Homo sacer II, Bollati Boringhieri, 2003, p. 70-71.
[15] Cf. Bauman, op. cit., p. 125. Este autor destaca a racionalidade instrumental, a desumanização burocrática e a indiferença moral do nazismo. Para o autor o judeu foi identificado com a destruição da segurança que nos trouxe a modernidade. O nazismo tornou-se assim pré-moderno rejeitando essa tendência moderna que constituía o judeu. No entanto, é preciso guardar algumas distâncias e Bauman adverte: «O facto de o holocausto ser moderno não se segue que a modernidade constitua um holocausto.» op. cit., p. 159.
[16] Agamben, Stato di Eccezione, p. 110 – 111. E acrescenta numa visão quase apocalíptica: «Do estado de excepção efectivo em que vivemos, não é possível o retorno ao estado de direito, visto que o que está em questão agora são os próprios conceitos de «estado» e de «direito». Ibid., p. 111.
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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Descoberta macabra

Da EFE e reproduzido pelo Apaniguado:

Uma vala comum com os corpos de aproximadamente 5.000 judeus executados pelos nazistas durante a ocupação da Ucrânia, na Segunda Guerra Mundial, foi encontrada no povoado Gvozdavka-2, na região de Odessa, informaram hoje as autoridades locais.
Anatoli Ostrovski, chefe do distrito, disse à rádio "Krug", de Odessa, que a vala foi descoberta durante obras para instalações de gás do povoado, onde, durante a guerra, segundo moradores, houve dois guetos de judeus ucranianos e moldávios.
Pavlo Rubli, um morador do local que tinha 16 anos em 1941, relatou à imprensa ucraniana que os nazistas enterravam os judeus do campo de concentração em trincheiras antitanque, e afirmou que existem até cinco valas comuns nas proximidades de Gvozdavka-2. Até o último descobrimento, só estava localizada uma dessas valas, em um local onde a comunidade judaica de Odessa instalou uma placa de homenagem aos falecidos no começo dos anos 90.
Odessa, um porto ucraniano no Mar Negro onde historicamente houve uma grande comunidade judaica, foi ocupada pelas tropas nazistas em 16 de outubro de 1941, após uma heróica defesa de 73 dias, e permaneceu sob ocupação até 10 de abril de 1944. Segundo a comunidade judaica da cidade, só em Odessa os nazistas executaram e queimaram vivas 28.000 pessoas, a maioria delas judeus que moravam no local.
Outros dois cenários funestos do Holocausto na então república soviética da Ucrânia foram Babiy Yar (perto da capital, Kiev) e Zhitomir, onde os nazistas exterminaram dezenas de milhares de judeus.
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Depois de Anne Franck, Rutka Laskier

Uma polaca que estava na posse do diário de uma jovem judia polaca assassinada em Auschwitz em 1943, acaba de oferecer o manuscrito ao memorial Yad Vashem, em Jerusalém. O diário de Rutka Laskier, na altura com 14 anos, foi encontrado dentro de uma lata. Segundo o porta-voz do Yad Vashem, Rutka Laskier foi imediatamente assassinada após a sua chegada ao campo de extermino de Auschwitz. O diário foi publicado em polaco este ano e já está traduzido em hebraico e inglês.
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Domingo, 3 de Junho de 2007

Irmãos Scholl

Nova comunidade no Orkut dedicada aos irmãos Scholl e ao grupo Rosa Branca.
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Sábado, 2 de Junho de 2007

Na rota de Aristides...

Os Amigos de Aristides Sousa Mendes informam que alguns familiares e amigos de Sousa Mendes vão repetir os passos de Aristides de Sousa Mendes e de milhares de refugiados no 67º aniversário dos dias de desespero de Junho 1940.
O programa, inicialmente previsto para o ano passado, começa agora em
Bordéus, passa por Hendaye, Cabanas de Viriato, Coimbra e termina no porto de Lisboa.
Bordeaux, sábado, 16 Junho
10h Recepção à familia na Esplanada Charles de Gaulle
14h Colocação de flores no monumento a Aristides de Sousa Mendes
15 h Entrega póstuma da medalha de
Citoyen d'honneur de Gironde
16h30 Recepção no Goethe Institut
18 h Consulado de Portugal seguido de jantar às 20h e da entrega à familia do Grande Prémio Humanitário da França
domingo,17 Junho,
Dia da Consciência
10h, Missa na Igreja Saint Louis presidida pelo Cardinal Ricard
12h45 Récepção na Sinagoga
segunda-feira, 18 Junho
10h Recepção à la Mairie de Bordeaux (Câmara Municipal)
14h
Centre Jean Moulin, 16 h partida de Bordeaux para Hendaye.
19h Jantar
Ville d'Anglet
terça-feira, 19 Junho
9 h na Bibliotéca d'Anglet, 11 h colocação de uma placa no posto fronteiriço de
Biriatou
quarta-feira 20-21 Junho
Jornada em
Cabanas de Viriato, visita à Casa do Passal, Cemitério e Beijós
Apresentação dos projectos para o Museu
22-23 Junho
Universidade de Coimbra, comemoração do 100 do curso de Sousa Mendes, e visita aTomar
23-24 Junho Jornadas em Lisboa
A viagem é precedida de diversas conferências e concertos em Bordeaux, ville d'Anglet e Bayonne. A viagem celebra o Acto de Consciência quando Sousa Mendes decidiu tentar salvá-los a todos e chega a Cabanas a 20-Junho, o Dia Mundial do Refugiado e do
asilo.
Contactos:
AFPV 18 Allée du Colonel Touchard, 64 600 Anglet
tel 05 59 52 17 55
bmangletd@numericable.fr
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