Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

Guarda: Biblioteca vai acolher centro sobre Sousa Mendes

«O edifício do Solar Teles de Vasconcelos, onde funciona a actual Biblioteca Municipal da Guarda, vai ser transformado num local de estudo e divulgação da vida e obra do cônsul Aristides Sousa Mendes.
No âmbito do projecto «Memorial da Vida Aristides Sousa Mendes», que envolve a Câmara Municipal da Guarda e a Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE), o edifício será convertido num local que permitirá «homenagear e estudar o trabalho do cônsul», que durante a II Guerra Mundial, salvou 30 mil pessoas do holocausto nazi.
Segundo Jorge Patrão, presidente da RTSE, o espaço funcionará como «centro de documentação, de filmes e de fotografias», permitindo o estudo da vida do cônsul e o apuramento dos dados relacionados com a identidade das pessoas que ele salvou.
O mesmo projecto contempla a instalação, na cidade da Guarda e na fronteira de Vilar Formoso, de monumentos com os nomes dos refugiados - 12 mil judeus e 18 mil não judeus que foram salvos do holocausto nazi pelo cônsul de Portugal em Bordéus (França).
Em relação à fronteira, foi ainda referido na cerimónia de lançamento do projecto, que a CP e a Câmara Municipal de Almeida, irão decidir a melhor forma de criar naquela vila fronteiriça um espaço que permita evocar «a chegada dos refugiados» a Portugal, a bordo do comboio Sud Express.
O dinamizador do Memorial, Jorge Patrão, adiantou à Agência Lusa que os projectos serão alvo de uma candidatura ao próximo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), admitindo que a sua concretização possa estar efectivada «no final de 2008».
Foi também anunciado pela Região de Turismo da Serra da Estrela que o feito de Aristides de Sousa Mendes será objecto da publicação de um livro e de um filme, intitulado «O Selo», pelo realizador George Felner.
Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente, referiu que o Memorial dedicado a Aristides de Sousa Mendes irá ficar sedeado no Solar Teles de Vasconcelos, que em breve ficará vago, com a mudança dos serviços da Biblioteca Municipal para um novo imóvel.
O autarca fez votos para que o futuro espaço, que será integrado na Rota das Judiarias, criada pela RTSE, «projecte a região da Guarda na Europa e no Mundo».
O Embaixador de Israel em Portugal, Aaron Ram, também presente na apresentação de hoje, disse que em Israel Aristides de Sousa Mendes «é considerado um herói, um homem que se comportou como um ser humano numa época em que muito poucos o fizeram».
Salientou que «ocupa um lugar de honra no Museu Memorial de Yad Valshem, em Jerusalém», e valorizou o Memorial que será edificado na Guarda «ao homem que foi tão importante para o povo judeu e para a nação portuguesa».
Por sua vez Álvaro Sousa Mendes, neto do cônsul e presidente da Fundação que tem o nome de Aristides Sousa Mendes, mostrou-se «muito emocionado» com o projecto do Memorial que será «um hino à vida».
Recordou que a Fundação a que preside foi criada em 2000 e que neste momento tem a «preocupação grande» de recuperar a casa do seu avô, em Cabanas de Viriato.
«A Fundação comprou a casa em 2001 e hoje pretendemos fazer ali uma Casa Museu, um monumento dedicado a Aristides de Sousa Mendes e aos refugiados, com uma biblioteca sobre a II Guerra Mundial e o período do holocausto», disse.
O projecto de arquitectura está a ser executado neste momento, esperando que «até final do ano» possa ter «um projecto com estimativas de custos» para ser apresentado ao Estado e aos mecenas.
O diplomata português Aristides de Sousa Mendes, nascido em Julho de 1885, em Cabanas de Viriato, foi o cidadão do mundo que mais seres humanos salvou durante a II Guerra Mundial.
Os salvo-condutos passados em Bordéus e Bayonne (França) permitiram a passagem da fronteira franco-espanhola dos Pirinéus e a entrada em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso.
O cônsul português em Bordéus (França), entre os dias 17 e 19 de Junho de 1940, assinou 30 mil vistos para salvar pessoas do holocausto nazi, contrariando as ordens do Governo de Salazar, situação que o levaria à expulsão da carreira diplomática.
Morreu a 03 de Abril de 1954 em Lisboa, no Hospital da Ordem Terceira.»
Diário Digital / Lusa
publicado por MJ às 19:21
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