Terça-feira, 19 de Junho de 2007

A terra continua a esconder vítimas do Holocausto

O jornal Público (19/06/07) traz no suplemento P2 duas páginas sobre um assunto que já tinha sido noticiado aqui e que reproduzidos de seguida. As fotografias são da autoria de Gleb Garanich/Reuters.

Foi descoberta na Ucrânia uma vala comum com os restos de milhares de judeus, mortos pelos nazis na II Guerra. As autoridades judaicas querem fazer ali um monumento.

O SEGREDO QUE SE ESCONDIA NO PRADO
As pessoas que vivem em Gvozdavka-1 (a cerca de 300 km a sul de Kiev) sabem que houve ali um campo de concentração durante a II Guerra, onde foram mortas pelo menos 5000 pessoas. Mas só em Abril surgiram provas indesmentíveis, quando a escavação para instalar tubagens de gás pôs a descoberto uma grande quantidade de ossos num prado onde os habitantes costumam apascentar as vacas.

«ATIRÁVAMOS-LHE BATATAS E PÃO»
Alguns dos judeus levados para aquele campo de concentração foram executados, outros morreram de fome e doença. «Eles punham a mão através da rede que cercava o campo, implorando comida. Atirávamos-lhes batatas e pão», recorda Olga Tomachenko, que hoje tem 78 anos. Só em Gvozdavka-1 pode haver mais quatro valas comuns de vítimas dos nazis e pensa-se que existem outras 700 na Ucrânia.
DEVOLVER DIGNIDADE ÀS VÍTIMAS
A descoberta levou a Gvozdavka-1 muitos rabis. Remexiam o campo, em busca de ossos de vítimas do Holocausto, para os voltar a enterrar, cuidadosamente, dizendo uma oração. Vestidos com grossas casacas pretas tradicionais e chapéus de aba larga, tentam recuperar a dignidade das vítimas. «O que vi aqui vai ficar comigo para o resto da vida», disse à Reuters o rabi Shlomo Baksht.
DEIXAR OS MORTOS EM PAZ
Seis milhões de judeus foram mortos pelos nazis durante a II Guerra Mundial. Mas nem todos foram cremados: os restos de milhões dessas vítimas do Holocausto enterrados em campas rasas na Europa de Leste e são revelados quando se fazem escavações. No caso de Gvozdavka-1, as autoridades judaicas não querem desenterrar as vítimas e tentar identificá-las – o que até seria possível, pois há registos, em arquivos israelitas e em Moscovo, das pessoas que para lá foram enviadas para morrer.
«Queremos resguardar o local. Estes judeus são santos, deixá-los estar onde estão» disse Yakov Ruza, rabi do Instituto de Medicina Forense L. Greenberg, em Israel, Para os historiadores estas descobertas revelam o assassinato sistemático feito pela brigada Einsatzgruppe C. «Todas as cidades mais importantes da Ucrânia tinham um ghetto e valas comuns», disse à Reuters o historiador Viktor Korol.
publicado por MJ às 18:30
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1 comentário:
De a 22 de Junho de 2007 às 03:01
Antes de mais parabéns pelo blog!
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