Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

A Vida dos Livros por Guilherme d'Oliveira Martins

Ensinar o Holocausto no Século XXI” de Jean-Michel Lecomte, com prefácio de Esther Mucznik (Via Occidentalis, 2007) é uma obra de valor pedagógico promovida pelo Conselho da Europa que nos alerta para a importância de cuidar da memória de modo a prevenir a intolerância, a cegueira e a barbárie com que o mundo se confrontou no século XX, num tempo que muitos anunciavam de paz e de entendimento.

 
Auto-retrato de Félix Nussbaum (1942 ?), Museu Nussbaum, Osnabrük. O Autor foi morto na câmara de gás em Auschwitz (3.8.1944)


NÃO HÁ HISTÓRIA MAIS DIFÍCIL… - Hannah Arendt disse que “não há história mais difícil de contar em toda a história da Humanidade” do que a do “Holocausto”. E porquê? “Em primeiro lugar pelo sofrimento intenso de um povo, estilhaçando com fragor insuportável os limites do entendimento humano” – diz-nos Esther Mucznik. “Até hoje, o genocício nazi, programado, sistemático e colectivo permanece para a civilização humana como a referência ética do mal absoluto”. Mas como foi tudo isto possível, quando ninguém esperava? E como foi possível que acontecesse a partir de um país de arte e de cultura? O certo é que tudo aconteceu de um modo sistemático e terrível. Daí que a obra agora saída corresponda à procura de uma consciência moral e cívica que possa contrapor o respeito ao ressentimento e a liberdade à servidão. Nesse sentido, o projecto do Conselho da Europa visa “suscitar o interesse dos jovens pela história recente do nosso continente e ajudá-los a estabelecer ligações entre as razões históricas e os desafios com os quais estão confrontados na Europa actual”. Está em causa a ajuda à criação de uma identificação europeia, o desenvolvimento da análise crítica, a sensibilização para a importância da diferença e do outro e o encorajamento aos professores para lançarem as bases de “um ensino europeu da história”. A dimensão europeia na Educação passa, assim, por um melhor conhecimento da realidade, de tragédia, de diálogo e de conflito, que nos antecedeu, com todas as suas implicações. O estudo da “Shoah” (expressão que significa “catástrofe” e que é utilizada para designar o genocídio perpetrado pelos nazis e seus aliados contra os judeus) e do “Holocausto” (sacrifício) deve, no fundo, permitir-nos ir além das apreciações simplistas ou do mero culto do ressentimento. É essencial entender as fontes da banalização do mal, para que, no futuro, possamos prevenir a sua ocorrência. De facto, entre o excesso de memória e a sua ausência, temos de encontrar um equilíbrio que permita não esquecer, sem fazer da lembrança um motivo de vingança.


APRENDER COM OS FACTOS – Ao longo de 50 fichas elaboradas criteriosamente, podemos obter uma informação bastante rigorosa e circunstanciada sobre o judaísmo, sobre a doutrina nazi, sobre os campos de concentração, sobre as perseguições (também dos Rom/Ciganos e dos homossexuais), sobre a decisão de extermínio, sobre as câmaras de gás e a cremação das vítimas, sobre os campos de extermínio (Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Lublin-Maidanek, Sobibor, Treblinka); sobre os “sonderkommandos” (encarregados das operações nos campos de morte – desde a preparação para as câmaras de gás até aos fornos crematórios); sobre a situação nos diversos países afectados; sobre as reacções dos judeus; sobre “os justos” (que ajudaram o povo judaico durante a Shoah); sobre as opções dos Aliados; sobre o número de mortos (cerca de 5 milhões de judeus); sobre o regresso dos sobreviventes; sobre o silêncio; sobre o revisionismo e o negacionismo; sobre a filmografia do tema e sobre os sítios na Internet. Trata-se de um conjunto de informações sobre o inominável e o injustificável. Como entender tanta cegueira e tanta desumanidade? E como interpretar os resultados da discricionariedade pura? E fica a afirmação de Primo Levi que “menciona um conjunto de ‘pequenas razões’, pequenas partículas de humanidade que se juntaram e que conduziram à sua sobrevivência – por outras palavras, uma sucessão de pequenos pedaços de sorte, de acontecimentos fortuitos”. Por outro lado, fica a realidade insofismável que hoje não pode sofrer contestação: “apesar do reduzido número de sobreviventes, foram registados muitos testemunhos, o que nos leva a considerar por que razão todos contaram o mesmo e por que razão não existem quaisquer provas do contrário”.


A DIFICULDADE DA MENSAGEM – À medida que o tempo passa, atenua-se, contudo, o impacto do drama real e prevalece a ideia mítica ora dos actos heróicos de resistência ora do carácter difuso da culpa e da responsabilidade. No entanto, mais do que os mitos, o que importa é fixar a actualidade do tema e o risco da repetição de acontecimentos tão terríveis e dramáticos. Daí que nas orientações dadas aos professores, no âmbito deste projecto educativo, haja muitas vezes dúvidas e hesitações sobre a eficácia menor ou maior da utilização de determinado exemplo ou instrumento. De facto, temos de contar com a “dificuldade da mensagem” e com o facto dela ter tudo a ver com a construção de uma sociedade mais humana, onde os direitos, as liberdades, as garantias e a responsabilidade pessoal têm de ter um lugar cimeiro. E se nos lembrarmos do exemplo de Janusz Korczak no gueto de Varsóvia vemos que o melhor método educativo é o da prática e do exemplo: “desenvolveu um sistema de organização democrática dos orfanatos – as crianças eram tratadas como indivíduos com plenos direitos e tomavam parte na administração da comunidade”.


DEVER DE MEMÓRIA? - Tzvetan Todorov afirmou que «les enjeux de la mémoire sont trop grands pour être laissés à l’enthousiasme ou à la colère» (Les Abus de la Mémoire, Arléa, 1995, p. 14). Esta é a preocupação fundamental que temos de preservar, a fim de que não haja interpretações unilaterais e abusivas sobre a memória. O dever de memória obriga ao rigor crítico e a prestar justiça – o que também leva à necessidade de compreender as circunstâncias da história para além da vitimação e da ameaça. O entusiasmo e a cólera levam à incompreensão de que a memória se refere à humanidade, e de que, nesse sentido, tem de apelar permanentemente à capacidade de compreender e de nos pormos no lugar do outro.

retirado da web do Centro Nacional de Cultura

publicado por MJ às 23:14
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Enciclopédia do Holocausto


A Enciclopédia do Holocausto é um projecto do United States Holocaust Memorial Museum para o apoio à Educação. Milhares de entradas, fotos, e vídeos podem ser consultados em inglês, francês e espanhol. De forma não tão completa regista-se o aparecimento de uma versão em árabe e outra em farsi.
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publicado por MJ às 20:37
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

I conferência sobre o Holocausto.

No próximo dia 22 de Outubro terá lugar a "I Conferencia sobre o Holocausto", no Auditório Príncipe Felipe de Oviedo. Esta Conferência, dirigida principalmente a docentes, mas aberta a todo tipo de público, é organizada pela Associação Cultural e de Amizade con povo judeu "Encuentro" e a colaboração do Museu Yad Vashem, o concelho de Oviedo, a Casa Sefarad-Israel e a Comunidad Israelita del Principado de Asturias.


Programa da conferência:

16:00. Presentación.
16:15. O Holocausto, relato histórico.
17:00. Yad Vashem Memoria e nome.
17:30. Materiais Educativos da Escola Internacional para o Estudo do Holocausto.

As tres conferencias serán impartidas por D. Mario Sinay, Director do Departamento de fala Hispana da Escola Internacional para o Estudo do Holocausto de Yad Vashem, Jerusalén.

18:15. Proxección do vídeo "Visados para la libertad", realizado pola Casa Sefarad-Israel
19:30. Presentación do material educativo sobre o holocausto, realizado polo grupo "Eleuterio Quintanilla" de Gijón.

Simultáneamente haberá unha exposición chamada "Visados para la libertad", composta dos seguintes 15 paneis:
Diplomáticos españois e o holocausto
España. Camiño cara a liberdade
Autorizada a entrada en territorio nacional
Xudeus sefardíes con nacionalidade española
Bernardo Rolland, Paris
O ultimátum alemán
Repatriación condicional
Sebastián Romero Radigales, Atenas
Xudeus españois en Bergen-Belsen
Julio Palencia y Tubau, Sofia
Jose de Rojas y Moreno, Bucarest
Angel Sanz Briz, Budapest
Budapest 1944: Perlasca e a delegación española
Jose Ruiz Santaella, Berlín
A axuda de España aos xudeus: luces e sombras
publicado por MJ às 09:48
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Uma obra dedicada à juventude

Com o agradecimento à Via Occidentalis Editora publicamos o prefácio incluído na obra Ensinar o Holocausto no Século XXI, de Jean-Michel Lecomte, livro direccionado à compreensão do fenómeno do anti-semitismo que recentemente ganhou uma sinistra actualidade entre nós.


* * *

Prefácio à edição portuguesa por

Esther Mucznik

investigadora em assuntos judaicos

 

Em boa hora, decidiu a Via Occidentalis publicar a tradução do livro Ensinar o Holocausto no Século XXI, editado pelo Conselho da Europa.

 

Trata-se, como é referido na apresentação do mesmo, de uma obra  com uma preocupação essencialmente pedagógica com vista a fornecer um material de apoio – simultaneamente conciso, rigoroso e de fácil consulta –  a professores e alunos.

 

Ensinar o Holocausto não é um desafio fácil. Portugal não foi ocupado por Hitler durante a IIª Grande Guerra, nem sofreu as consequências do Holocausto no seu solo. Mas esta feliz circunstância histórica leva a que, praticamente, apenas a população judaica em Portugal  tenha laços afectivos, memórias concretas, uma relação directa com as vítimas do genocídio nazi. Com efeito, quantos jovens em Portugal poderão dizer “o meu avô contou-me...”? Obviamente bem poucos.

 

Talvez por isso o Holocausto nunca foi objecto de debate público em Portugal como o foi, embora tardiamente, nos países ocupados pelo nazismo. Assim para a maioria esmagadora dos alunos e professores portugueses de hoje, o Holocausto é um acontecimento de que ouviram falar na televisão, através de alguns filmes, de alguns livros ou de alguns textos inseridos em manuais escolares – apesar de há uns anos para cá o currículo escolar contemplar mais detalhadamente o estudo do nazismo. Mas para os alunos – e eu tive a oportunidade de o constatar pessoalmente várias vezes – o Holocausto é um acontecimento abstracto, visto frequentemente quase como uma ficção.

 

O facto de já se terem passado mais 60 anos, torna também mais difícil o ensino do Holocausto, não só pela capacidade de atenção e interesse dos alunos, como da própria motivação de professores e autores de manuais. Sabemos como a nossa sociedade – e não só a portuguesa – está virada para a vertigem da actualidade e para o efémero: o que é hoje acontecimento deixa de o ser amanhã. E neste contexto, sessenta anos é uma eternidade...

 

Mas não são estas as únicas dificuldades do ensino do Holocausto, nem talvez as principais. “Não há história mais difícil de contar em toda a história da Humanidade”, afirmou Hannah Arendt. Porquê? Em primeiro lugar pelo sofrimento intenso de um povo, estilhaçando com fragor insuportável os limites do entendimento humano. Até hoje, o genocídio nazi, programado, sistemático e colectivo permanece para a civilização humana como a referência ética do mal absoluto.

 

Mas também porque é uma história que põe radicalmente em causa os valores em que fomos formados, as nossas certezas mais profundas: que através da cultura e da educação o homem se vai aperfeiçoando; que é tanto mais moral quanto mais instruído; que a ciência é uma escola de progresso, racionalidade e aperfeiçoamento. O extermínio nazi deitou por terra essa perspectiva: ocorreu num dos países mais industrializados, povoado por uma das nações mais cultas e instruídas do mundo. “Esperávamos o pior, mas não o impossível”, afirma uma sobrevivente. Depois do Holocausto ficámos a saber que o impossível se tornou uma possibilidade em aberto.

 

Não é, pois, fácil ensinar o Holocausto e sobretudo educar contra o Holocausto. Mas é um assunto que não pode ser evitado porque tem a ver com os próprios fundamentos da nossa civilização. Auschwitz tornou-se, pela negativa, património da humanidade.

 

Na história negra deste período há, no entanto, alguns raios de luz representados por homens e mulheres que contra tudo e contra todos, tiveram a coragem de se opor à barbárie, escondendo e salvando judeus e não judeus, resistentes ou simples pessoas, arriscando frequentemente a própria vida. Ensinar o Holocausto no século XXI  evoca esses “Justos das nações” título a eles atribuído por Israel em reconhecimento da sua acção de salvamento. Entre eles nunca será demais lembrar Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus (França) que à revelia do seu governo e arriscando a sua carreira e bem-estar pessoal e familiar concedeu milhares de vistos à multidão de refugiados que procurava desesperadamente escapar da Europa ocupada.

 

Portugal declarou a neutralidade política durante a guerra e desde o seu início muitos judeus e outros perseguidos tentaram escapar aos nazis obtendo um visto de trânsito em Portugal. Mas, à medida que chegavam mais refugiados, a política de fronteiras foi-se tornando mais apertada: os cônsules só podiam conceder vistos depois de autorizados pela polícia política e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e, após a ocupação alemã de Paris em Junho de 1940, apenas a quem dispusesse de um bilhete de saída de Portugal e de um visto de entrada num país de exílio.  Apesar de todas estas dificuldades, houve mais de cem mil refugiados que conseguiram salvar-se através de Portugal, a maioria entrando clandestinamente ou com vistos dados por Aristides de Sousa Mendes. “Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente, cuja aflição era indescritível”, afirmará mais tarde Aristides de Sousa Mendes.

 

A sua coragem teve um preço exorbitante: Salazar demitiu-o e o cônsul ficou na miséria sendo obrigado a viver da caridade para sustentar a sua numerosa família até à morte em 1954. Outros diplomatas portugueses souberam também fazer prova de humanidade e compaixão: Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho, na Hungria; José Luis Archer, em Paris; Lencastre e Menezes, em Atenas; Giuseppe Agenore Magno, cônsul honorário em Milão, todos eles concederam vistos sem autorização, comprometendo as suas carreiras e vidas pessoais.

 

No entanto, nenhum salvou tantos, nem pagou um preço tão elevado como Aristides de Sousa Mendes. Talvez por isso, no Yad Vashem, em Jerusalém, onde o cônsul tem uma árvore plantada em seu nome na Ala dos Justos, as autoridades israelitas considerem que entre todos, foi Aristides de Sousa Mendes que sozinho e contra o seu próprio governo salvou mais vidas. “Talvez seja por isso que a sua árvore é a mais alta de todas”, concluem com um sorriso...

 

A terminar, não quero deixar de saudar a editora Via Occidentalis pela publicação deste livro. Espero que ele contribua decisivamente para ajudar professores e alunos a conhecer e a reflectir sobre a pior catástrofe do século XX. Esta é sem dúvida a melhor maneira de impedir a sua repetição.

publicado por MJ às 14:20
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Ensinar o Holocausto aos jovens

EUROPA ENTREVISTA

4ª FEIRA, 10 DE OUTUBRO - 19H05

SÁBADO, 13 DE OUTUBRO - 18H05 (redifusão)

Lisboa 90.4 FM

A propósito da edição em Portugal do livro "Ensinar o Holocausto no século XXI", de Jean-Michel Lecomte (Editora Via Occidentalis), o Europa Entrevista convida esta semana Esther Mucznik, vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, para falar das ameaças da extrema-direita na Europa (como a recente profanação de campas no Cemitério Israelita em Lisboa) e do actual momento do processo de Paz no Médio Oriente.

Europa Entrevista : uma edição de Mónica Peixoto.

Emissão também disponível online em www.radioeuropa.fm / Jazza-me muito... ou através da powerbox da TV Cabo.
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Sábado, 9 de Junho de 2007

Ensinar o Holocausto

Pretendendo aliar a pesquisa na net ao estudo do Holocausto, a professora Fátima Gomes criou um blogue de apoio ao estudo do nazismo e do Holocausto para os seus alunos do 9º ano. Alguns trabalhos práticos e ligações para os alunos explorarem são uma valiosa ferramenta de elevado potencial e que começa a ser explorada na tentativa de culmatar a fraca bibliografia existente.

Dedicado essencialmente a professores, alunos e encarregados de educação vai ser publicado brevemente em Portugal a tradução do livro de Jean-Michel Lecomte, «Ensinar o Holocausto no Século XXI», editado originalmente em francês pelo Conselho da Europa.
publicado por MJ às 11:41
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Pensar o impensável: Filosofia e Holocausto

Artigo de José Caselas, Escola Secundária de Miraflores, publicado no blogue de Rolando Almeida.

Este artigo resulta de uma comunicação/debate realizada na Esc. Sec. de Miraflores (28.11.2006), para turmas do 12º Ano com a disciplina de História. Embora não tendo a disciplina de Filosofia no seu currículo, estes alunos estão perfeitamente capazes de compreender conceitos filosóficos transversais e pensar novas categorias do político, desde que exista essa parceria entre professores de Fil/Hist.

Se aceitarmos a análise de Hannah Arendt, o campo [de concentração ou extermínio] é inseparável da organização totalitária. Ele concretiza o principal objectivo do sistema totalitário que compreende duas fases conectadas entre si: a constituição de uma comunidade do povo (Volksgemeinschaft) com um futuro auspicioso e utópico numa sociedade perfeita e a concomitante exclusão dos que não têm direito de cidadania. O campo, o Lager, surge, assim, como o lugar de exclusão da ordem jurídica e de erradicação da vida que não merece viver, que é indigna de viver (lebensunwerten Leben). Este será o ponto de chegada de Agamben ao tomar o campo num sentido alargado a todo o domínio político da modernidade, fazendo do evento dramático de Auschwitz a viragem biopolítica por excelência do nosso tempo.
No seu artigo “As técnicas da ciência social e o estudo dos campos de concentração”
[1], Arendt sublinha a dificuldade de compreensão do totalitarismo pela necessidade de punir pessoas inocentes e a natureza antiutilitária do campo que o diferenciava das prisões, dos guetos e dos campos de trabalhos forçados. O campo de concentração é o expoente máximo do sistema totalitário porque consuma a experiência da dominação total transformando o ser humano num ser condicionado, desintegrando a sua personalidade e a pessoa jurídica.

A biopolítica e os regimes totalitários (Foucault e Agamben)

Foucault introduz o conceito de biopoder em 1976, destacando a partir de finais do séc. XVIII a possibilidade de uma politização da vida, do ser biológico, do encontro entre a História e o biológico, o corpo. Qual o objecto dessa biopolítica? São os processos de conjunto da população, que visam fenómenos globais como a reprodução, a natalidade e a morbidade, a proporção de nascimentos, taxa de reprodução, fecundidade, natalidade e longevidade. Para ele o biopoder foi um elemento indispensável no desenvolvimento do capitalismo, a fim de assegurar o controlo dos corpos pelo aparelho produtivo. O sexo funcionou também como regulação das populações (a descendência, a saúde colectiva) a sexualização da infância e a histerização do corpo da mulher.
Desse modo, a biopolítica é uma tecnologia de poder que não se aplica ao homem individual, ao homem-corpo, mas ao homem-espécie enquanto população. É portanto, a gestão da população que está em causa nesta tecnologia, tendo como objectivo o incremento da vida e as instituições de assistência. Ao contrário da soberania, centrada no corpo do rei, logo feudal, uma soberania que fazia morrer e deixava viver, a biopolítica é um outro tipo de regulamentação que se centra na vida, que consiste em fazer viver e em deixar morrer; uma bio-regulamentação operada pelo Estado. Assim, o conceito de biopoder elaborado por Foucault é um instrumento poderoso para pensar o genocídio nazi. Ele surge tematizado na última sessão do curso «Il faut défendre la société» e no último capítulo do primeiro volume da História da sexualidade, quando se alude precisamente a esse momento em que a vida, o bios, é inserido no domínio político – a estatização do biológico – . Foucault, encontra no nazismo uma faceta paradoxal, expondo à morte não só os inimigos mas os próprios cidadãos. O que permite que o biopoder, como intensificação da vida, passe a exercer uma função de morte e aniquilação como no nazismo? Como pergunta Foucault: «De que modo esse poder, que tem essencialmente como objectivo fazer viver, pode deixar morrer? Como exercer o poder da morte, como exercer a função da morte, num sistema político centrado no biopoder?»
[2] O que provoca esta viragem na biopolítica é o racismo, visto que este visa a morte do outro, da raça nefasta ou inferior, mantendo a mais pura, a que é considerada sadia. Mais do que um heterofobia, ele constitui sobretudo um princípio eugénico.
É o racismo que assegura a cisão entre os que devem beneficiar de todas as garantias de segurança vital e os que devem ser aniquilados. O exemplo mais flagrante é o arranque do programa de eutanásia na Alemanha nazi, com a aniquilação dos próprios cidadãos deficientes mentais e outros. Como escreve Foucault: «O racismo, acho eu, assegura a função de morte na economia do biopoder, segundo o princípio de que a morte dos outros é o fortalecimento biológico da própria pessoa na medida em que ela é membro de uma raça ou de uma população, na medida em que se é elemento numa pluralidade unitária e viva.» «Portanto, o racismo está ligado ao funcionamento de um Estado que é obrigado a utilizar a raça, a eliminação das raças e a purificação da raça para exercer o seu poder soberano.»
[3] A depuração da raça é uma intervenção biopolítica que exigiu a utilização de conceitos científicos e psicológicos como a hereditariedade e o instinto.[4] Este dispositivo de poder/saber sustentava a Volksgemeinschaft segundo a falsa ideia de uma absoluta coesão do povo alemão que seria dissemelhante de todos os outros povos, com o projecto de uma raça nova a criar no futuro.
O domínio das massas no sistema totalitário trata desse alargamento à população mas circunscrita a uma comunidade, como os arianos no caso do nazismo, com exclusão de todos os que não são dignos de lhe pertencer. A exaltação desse sentimento völkisch é um dos traços distintivos racistas mais evidentes no nazismo. Em 1935 a Lei de Cidadania do Reich (Reichsbürgergesetz) distinguia entre cidadãos e residentes. Os primeiros eram os alemães que poderiam servir o povo e a nação. Os judeus estavam excluídos da capacidade de cidadania e inscreviam-se naquela segunda categoria juntamente com as mulheres solteiras.
Por seu turno, Agamben ao fazer um uso lato do conceito de biopoder inverte a lógica foucaultiana, identifica-o com o poder soberano, o poder de fazer morrer ou deixar viver. Para Agamben o poder soberano produz a vida nua (nuda vita), o Homo sacer, ou seja, aquele que é destituído de direitos; qualquer um pode matá-lo sem cometer homicídio. Escreve Agamben : «[…] é que os judeus não foram exterminados ao longo de um louco e gigantesco holocausto, mas literalmente, como Hitler tinha anunciado, «como piolhos», isto é, como vida nua. O plano em que se deu o extermínio não é o da religião nem o do direito, mas o da biopolítica.»
[5]
Se para Foucault, o biopoder remete ainda para a norma – a sociedade de normalização – uma norma, contudo, que não é jurídica mas institucional, que está presente nas instituições como suplemento de poder que funciona em rede, nas micro-vigilâncias, para Agamben, o poder constituinte e o soberano excedem a norma; de tal forma que a decisão soberana suspende toda e qualquer ordem jurídica (o soberano é o que decide sobre o estado de excepção). As duas perspectivas são juridicamente anti-normativistas embora Agamben inscreva convictamente a soberania na sua relação com a vida nua, isto é, a relação essencial entre esta e a violência jurídica. Neste contexto, ele identifica a democracia com os Estados totalitários concluindo que todos somos potenciais Homo sacer.
[6] Se em Foucault, a biopolítica mantém o seu carácter paradoxal, oscilando entre a intensificação da vida e o excesso mortífero, para Agamben ela é sobretudo produção da vida nua, que nos atinge a todos real ou virtualmente.

Democracia e estado de excepção

Poderemos legitimamente erigir a sociedade concentracionária, o campo, a paradigma político contemporâneo, matriz totalizadora da democracia e da modernidade, como faz Agamben? Os historiadores traçam de Hitler um perfil que se adequa melhor a uma dominação carismática de monarca feudal reinando num caos sem sistema, com uma erosão da administração pública, que muito pouco se compatibilizaria com uma democracia parlamentar.
[7] Quem lê os relatos dos sobreviventes, verifica igualmente quão exagerada pode parecer a formulação de Agamben ao fazer do campo o nomos da modernidade. Basta atendermos à descrição feita por David Rousset em O Universo concentracionário onde o próprio diz que os vários campos têm pouco de comum com o homem parisiense, de Toulouse ou de Nova Iorque.[8] Estamos em 1946/47 precisamente na mesma altura da obra de Primo Levi, Se isto é um Homem, e Rousset fala-nos de situações de violências quotidianas, sem hierarquias de idades ou profissões. Os campos chefiados pelos Kapos, criminosos de delito comum arregimentados para provocar uma expiação sem fim dos detidos, vão muito para além da destruição física; trata-se de um universo de corrupção generalizada e desordenada apesar da intensa burocracia, onde uma vida pode ser trocada por uma sopa através da delação.
«A tese de uma íntima solidariedade entre democracia e totalitarismo […] deve ser firmemente mantida porque só ela nos permitirá orientar face às novas realidades e às imprevistas convergências deste fim de milénio, abrindo o caminho para a nova política que está em grande parte por inventar.»
[9] Nesta aproximação Agamben toma demasiado à letra a tese de Schmitt que conduz à ideia de que a excepção se incorpora na esfera jurídica devido ao papel do soberano. Por outro lado, Benjamin defende, contra Schmitt que vivemos num estado de excepção permanente, fora de toda a ordem jurídica. A obra de Agamben, O que resta de Auschwitz vai nesse sentido, corroborando posições já assumidas por Primo Levi. Para o autor, a modernidade possui como matriz política oculta o estado de excepção, facto que desvaloriza a democracia representativa, relegando todo o sistema político para um reino de meios sem fins, pleno de arbitrariedades. Se o soberano para Schmitt define a estrutura topológica do estado de excepção (uma vez que ele está dentro e fora da ordem jurídica) é porque a sua palavra tem força de lei (Gesetzeskraft). Agamben destaca a especificidade do nazismo e do estalinismo, com o seu culto da personalidade e a constante indistinção entre o partido e o Estado. Se concordarmos com Agamben, ao defender que na modernidade o Estado de excepção se tornou a regra, somos todos Homo sacer, expostos à violência gratuita, e o nosso sistema político possui dissimulada uma localização deslocante, um campo, onde aparentemente a ordem jurídica está legitimada pela vontade popular mas na verdade a norma jurídica não vigora. Para o autor, é a vida biológica que constitui a charneira entre a democracia e o totalitarismo.[10] É evidente que existem algumas modalidades de campo (onde avultam exemplos como Guantanamo, Abu-Grahib, etc) mas poderemos generalizar sem mais esta noção? Por outro lado, cabe perguntar: em que medida o totalitarismo deu origem a uma politização e a uma medicalização da vida que se mantém ainda hoje? O equilíbrio entre estas duas interrogações não é pacífico, tal como resulta polémico afirmar que as democracias parlamentares são virtualmente idênticas aos Estados totalitários, nazi e estalinista, tal como defende Agamben. Sabemos que na ditadura nacional-socialista e bolchevique não existia oposição, o Estado era uma fachada e a palavra do líder fazia a lei muitas vezes apenas verbal (Führerprinzip). No entanto, se tivermos em conta que as condições ideológicas não se diferenciam totalmente, podemos compreender que a radicalidade com que Agamben coloca a questão não deixa de ter alguma pertinência.
Para Agamben, o campo é o instrumento biopolítico por excelência porque é aí que a vida nua é destituída do seu valor jurídico e exposta à morte. E, mais do que isso, trata-se de um acto que não pode ser testemunhado, visto que nem mesmo os sobreviventes podem dar conta do que ali ocorreu mas apenas os «muçulmanos». O campo é, nestes termos, o espaço de indistinção entre o facto e o direito, entre a excepção e a regra.
[11]
É perigoso fechar os olhos ao que aconteceu na região polaca de Auschwitz, ou em Buchenwald, perto de Weimar onde Goethe tinha uma casa de campo; tal como pode parecer excessivo ver em todo o lado sucursais do Lager alemão.
Esta medicalização da sociedade não foi uma invenção totalitária; a investigação genealógica de Foucault põe a descoberto que a intervenção da medicina, como instância de controlo social fez-se a partir do séc. XVIII não se situando apenas no aparelho de Estado, no que ele designa como nosopolítica.
[12]
O papel da medicina e da biologia foi relevante durante o totalitarismo chegando a desenvolver-se um darwinismo social onde vigorava a lei do mais forte; «[…] os médicos nazis passaram a desempenhar uma parte vital no processo do morticínio sistemático. Foram os médicos que tomaram a decisão que foi fundamental para o prosseguimento da operação levada a cabo em Auschwitz: quem, dos que chegavam nos transportes, devia continuar a viver e quem estava destinado a morrer. A participação activa da classe médica neste processo de selecção era essencial para os nazis por duas razões – uma de ordem prática e outra de ordem filosófica.»[13] Este papel dos médicos conferia credibilidade científica à selecção.
A doutrina de Schmitt exposta na sua obra Teologia política intenta, assim, uma resposta à observação de Benjamin sobre a existência de uma violência pura e anómica, remetendo-a para um contexto jurídico. «O estado de excepção é o espaço onde ele tenta enquadrar a ideia benjamiana de uma violência pura e inscrever a anomia no próprio corpo do nomos.»
[14] O campo põe em acção uma violência anómica devido ao estado de excepção decidido pelo soberano; apenas este pode decidir pela suspensão da norma porque está dentro e fora dela. Se pensamos que muitas das decisões políticas na Alemanha nazi se deviam à simples «vontade do Führer», entendemos o alcance deste decisionismo em Schmitt.
O totalitarismo é inseparável da medicalização, da intervenção biológica e médica na ordem social, processo que não só não desapareceu da sociedade actual como conheceu um incremento considerável. Toda a linguagem de Hitler transbordava de imagens de doença, infecção, contágio e pestilência.
[15]
Neste esforço para pensar o impensável, Agamben (a vida nua), Arendt (o totalitarismo, o refugiado), Schmitt (o estado de excepção), Benjamin (a violência pura), Bauman (o genocídio), a filosofia encontra o seu limite, reivindica para si a tarefa de conciliar razão e violência.
Agamben defende que a máquina biopolítica continua a produzir a excepção soberana desde a primeira guerra mundial, atravessando o fascismo e o nacional-socialismo, até aos nossos dias. Esta máquina que atingiu agora o seu apogeu poderá levar o Ocidente à guerra civil mundial.
[16]
É preciso re-equacionar o biopoder à luz das resistências e dos conformismos, no ponto em que a vida pode eventualmente escapar à politização para que o campo, sempre no horizonte, não se transforme numa realidade presente como nos doze anos de nazificação da Europa.

Notas
[1] Arendt, H., Compreensão e Política e Outros Ensaios, Relógio d’Água, 2001, p. 146.
[2] Foucault, «Il faut défendre la société», Cours au Collège de France, 1976, p. 227.
[3] Foucault, «Il faut défendre la société», p. 230.
[4] Tecnologia do instinto é o que Foucault designou o movimento de eugenia sob o nazismo aproximando-o mesmo da Psicanálise: «Tecnologia do instinto: eis o que foi o eugenismo desde os seus fundadores até Hitler. Por outro lado, tivemos em face da eugenia, a outra grande tecnologia dos instintos, o outro grande meio que foi proposto simultaneamente, numa sincronia notável, a outra grande tecnologia da correcção e da normalização da economia dos instintos que é a psicanálise.» Les Anormaux, Cours au Collège de France, 1974-1975, p. 124.
[5] Agamben, Homo sacer, Il potere sovrano e la nuda vita, Piccola Biblioteca Einaudi, 1995, p. 127. E reforça: «O totalitarismo do nosso século tem o seu fundamento nesta identidade dinâmica entre a vida e a política e, se não a tivermos em conta, permanece incompreensível.» Ibid., p. 165.
[6] Agamben, Ibid., p. 127.
[7] Cf. a este respeito, Ian Kershaw, Hitler, Gallimard, 1995, p. 313; David Welch, Hitler, Perfil de um ditador, Ed. 70, 2001, p. 117. Esta última apresenta em poucas páginas uma síntese brilhante sobre o nazismo.
[8] Rousset, D., L’univers concentrationnaire, Les Éditions de Minuit, 1965, p. 47.
[9] Agamben, op. cit., p. 14.
[10] «E é justamente na medida em que a vida biológica com as suas necessidades se tornou por todo o lado o facto politicamente decisivo, que é possível compreender a rapidez, que seria de outro modo inexplicável, com que no nosso século as democracias parlamentares se tornaram Estados totalitários e os Estados totalitários se converteram quase sem solução de continuidade em democracias parlamentares.» Agamben, op. cit., p. 134 (sublinhado nosso). Zygmunt Bauman em Modernité et holocauste, La fabrique éditions, 2002, também alerta nesse sentido: «Numerosos traços das sociedades «civilizadas» contemporâneas encorajam o recurso a holocaustos genocidiários.», p. 148.
[11] É o que Agamben defende literalmente, acrescentando que sempre que estas condições se realizam estamos em presença de um campo: «Se questo è vero, se l’essenza del campo consiste nella materializzazione dello stato di eccezione e nella conseguente creazione di uno spazio in cui la nuda vita e la norma entrano in una soglia di indistinzione, dovremo ammettere, allora, che ci troviamo virtualmente in presenza di un campo ogni volta che viene creata una tale struttura.» op. cit., p. 195.
[12] Cf. «La politique de la santé au XVIIIe siècle» e «Crise de la médecine ou crise de l’antimédecine» in Dits et écrits, Vol. III, Gallimard, 1994.
[13] Rees, Laurence, Auschwitz, Os nazis e a «solução final», D. Quixote, 2005, p. 243. Robert Proctor em Racial Higiene, Medecine under the nazis, Massachusetts/London: Harvard University Press, 1988, sublinha o papel dos médicos numa época em que o próprio Hitler era visto como o médico do povo alemão surgindo ao lado de Gerhard Wagner chefe da Liga dos Médicos Nacional-Socialistas. Da mesma forma, a biologia aplicada à política desempenhou uma função relevante na chamada ciência racial. «Não eram apenas os Judeus ou os deficientes mentais ou físicos, mas outros grupos estigmatizados também como “doentes” e “degenerados” pelos cientistas raciais da Alemanha. Judeus, ciganos, comunistas, homossexuais, atrasados mentais, tuberculosos, e uma vasta classe de “antisociais” (alcoólicos, prostitutas, toxicodependentes, sem-abrigo e outros grupos) estava toda destinada à destruição.» Proctor, op. cit., p. 212.
[14] Agamben, Stato di Eccezione, Homo sacer II, Bollati Boringhieri, 2003, p. 70-71.
[15] Cf. Bauman, op. cit., p. 125. Este autor destaca a racionalidade instrumental, a desumanização burocrática e a indiferença moral do nazismo. Para o autor o judeu foi identificado com a destruição da segurança que nos trouxe a modernidade. O nazismo tornou-se assim pré-moderno rejeitando essa tendência moderna que constituía o judeu. No entanto, é preciso guardar algumas distâncias e Bauman adverte: «O facto de o holocausto ser moderno não se segue que a modernidade constitua um holocausto.» op. cit., p. 159.
[16] Agamben, Stato di Eccezione, p. 110 – 111. E acrescenta numa visão quase apocalíptica: «Do estado de excepção efectivo em que vivemos, não é possível o retorno ao estado de direito, visto que o que está em questão agora são os próprios conceitos de «estado» e de «direito». Ibid., p. 111.
publicado por MJ às 23:55
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Dimensions - A Journal of Holocaust Studies

Volume 19, Fall 2006
Nuremberg Trials 60th Anniversary
publicado por MJ às 01:03
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

A Árvore virtual de Anne Frank continua a crescer

A Árvore virtual de Anne Frank (que já tinha sido aqui sugerida) transformou-se num sucesso. Desde 1 de Fevereiro de 2006 até Abril de 2007 foi visitada por mais de 1 milhão de únicos visitantes que deixaram 125.000 mensagens.
Passe por e sugira aos seus filhos que deixem uma mensagem em forma de escrita ou de desenho.
publicado por MJ às 21:54
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

A Árvore de Anne Frank

clique no castanheiro de Anne Frank

Baseado no famoso castanheiro do Diário de Anne Frank a Anne Frank House construiu um sítio interactivo destinado à participação dos mais jovens através de mensagens escritas ou do envio de desenhos. De invulgar beleza gráfica este projecto já teve a participação de quase 115.000 jovens de todo o mundo. Infelizmente não existe a opção da língua portuguesa mas pode ser acedido através de menús em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e holandês. Não se esqueça de trazer aqui os seus filhos. Vale a pena.
publicado por MJ às 15:39
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International Shoah Art Museum

Em Seattle, EUA, Akiva Kenny Segan dirige o International Shoah Art Museum, um projecto de sensibilização educacional através da arte que mobiliza vários artistas para a realização de workshops nas escolas.
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publicado por MJ às 15:21
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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Holocaust Memorial Day

Fazendo uso das novas tecnologias e adaptando-as exemplarmente às actividades escolares os alunos da Preston Lodge High School, de East Lothian, Escócia, produziram uma curta-metragem de 7 minutos para assinalar o Holocaust Memorial Day, em 27 de Janeiro de 2006.
publicado por MJ às 23:43
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Aristides de Sousa Mendes

Aristides de Sousa Mendes - Herói do Holocausto
de José Ruy

Preço: EUR 11,00
Editor: Âncora Editora
ISBN: 9789727801374
Ano de Edição: 2005
N.º de Páginas: 32

Natural de Cabanas de Viriato, Aristides de Sousa Mendes, é um dos filhos mais ilustres do Concelho de Carregal do Sal. Diplomata da época do holocausto nazi, o Cônsul foi, acima de tudo, um homem generoso, exemplo de coragem e tolerância numa época em que as directivas do Governo Nacional eram colocadas acima de qualquer imperativo de consciência. E esse foi, acima de qualquer outro, o motivo que transformou Aristides de Sousa Mendes numa das grandes figuras do panorama histórico e político nacional. Através do desfolhar destas breves páginas pretende-se divulgar, dar a conhecer, de uma forma cativante, o Homem cujo gesto humanitário salvou a vida a mais de 30 mil pessoas que eram perseguidas pelo regime de Hitler. Foi este acto que conduziu Aristides de Sousa Mendes e toda a sua família à miséria. Aliás, o Cônsul faleceu, sozinho, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, no ano de 1954. Mas o seu gesto só muito mais tarde viria a ser reconhecido. No ano em que lhe prestamos homenagem, quando passa meio século sobre a sua morte, convidamo-lo a descobrir passagens da sua vida a que continuam alheios muitos de nós. Aristides da Sousa Mendes, estou em crer, merece-nos este carinho, este gesto... esta memória! (Existe uma edição desta obra em hebraico).
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma e/ou a leitura com apoio do professor ou dos pais.
publicado por MJ às 12:18
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