Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Chiune Sugihara

No recente périplo europeu, o imperador japonês, Akihito deslocou-se à Lituânia onde depositou uma coroa de flores no monumento à memória do «Justo» Chiune Sugihara. Durante a Segunda Guerra Mundial, e apesar das ordens contrárias de Tóquio, este diplomata nipónico concedeu vistos a milhares de judeus polacos, lituanos e alemães que fugiam dos nazis.

Foto: Yukiko e Chiune Sugihara, no consulado de Kaunas, circa 1939 - 1940. (Cortesia de Visas for Life Foundation — Sugihara Collection)
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publicado por MJ às 21:14
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Domingo, 8 de Julho de 2007

Souza Dantas, um «justo» brasileiro

Recentemente Thiago Cohen evocou aqui a memória do «justo» brasileiro João Guimarães Rosa. Porém, o Brasil tem dois cidadãos, ambos diplomatas, a quem foi prestada essa justa homenagem. O outro é Luis Martins de Souza Dantas que concedeu, à revelia do seu governo, centenas de vistos a judeus franceses, salvando-os de uma morte certa.

Dantas serviu como embaixador do Brasil em França durante o período da ocupação nazi. Em 1940 pediu e recebeu permissão do MNE brasileiro para conceder um número limitado de vistos a cidadãos franceses. Apesar de o Brasil ter banido a imigração de judeus, ele concedeu vistos diplomáticos a centenas de judeus permitindo-lhes escapar ao regime de Vichy.

A revista Morashá publica um resumo da biografia deste «justo» baseada na obra do historiador Fabio Koifman "Quixote nas Trevas".
publicado por MJ às 23:21
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Nulla rosa est

Este texto foi publicado inicialmente no recomendável Aliterações, Metáforas e Oxímoros e é da autoria de Thiago Cohen.

No dia 27 de Junho de 1908, veio ao mundo em uma cidadezinha chamada Cordisburgo em Minas Gerais, João Guimarães Rosa, filho do comerciante e juíz de paz Florduardo Pinto Rosa, o conhecido seu Fulo, e de dona Francisca Guimarães Rosa, a dona Chiquitinha.

Mas o objetivo aqui não é falar sobre o homem que ficou internalizado em nossas memórias como o autor de Grande Sertão: Veredas, este livro consagrou-o em um país onde sempre existiu um abismo entre a norma culta da escrita e a língua falada. Não foi fácil para parte da intelectualidade compreender, como escreveu o filósofo Vilém Flusser, que Rosa se apoiava tanto no Sertão quanto na biblioteca.

O facto sobre o qual pretendo lhes falar se inicia na década de trinta, mais precisamente em 1938, quando Guimarães Rosa é nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo na Alemanha. Não tardou para que os nazistas exercitassem o seu ímpeto despótico e em 1942 puseram Rosa na prisão de Baden-Baden. É bem verdade que sua permanência na prisão não durou muito (apenas quatro meses), mas ainda assim o acto de colocar um membro da comissão diplomática brasileira na prisão não pode passar incólume. Cícero Dias, cognominado "o pequeno Chagall dos trópicos", que tentou adaptar para a temática dos trópicos a maneira do pintor, gravador e vitralista russo Marc Chagall, sofreu das mesmas agruras.

Lembrei-me deste facto em Yom Hashoá Vehagvurá deste ano, para os que não estão familiarizados, este é o dia do Holocausto e da bravura. Uma data lembrada por judeus do mundo todo. Pois foi neste dia, em uma sinagoga do Rio de Janeiro, que o imortal da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, recordou passagens da vida do académico que nos cativou com seus neologismos do sertanejo.

É importante nos recordamos que Rosa, assim como muitos outros não judeus, arriscaram as suas vidas e a de suas famílias quando saíram em defesa dos que eram injustiçadas pelo caudilho alemão. Estes homens eram conscientes de que existe somente uma fé: a da bondade. O médico Guimarães Rosa, pode ter abandonado o ofício da medicina, mas jamais abandonou o ofício de salvar vidas.

Em abril de 1985, Guimarães Rosa e esposa foram agraciados com a mais alta distinção que nós, judeus, prestamos a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém. A concessão da homenagem foi precedida por pesquisas rigorosas com tomada de depoimentos dos mais distantes cantos do mundo onde existem sobreviventes do Holocausto. Foi a forma encontrada pelo governo israelense para expressar sua gratidão àqueles que se arriscaram para salvar judeus perseguidos pelo Nazismo por ocasião da 2ª Guerra Mundial. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher citada no Museu do Holocausto em Israel como um dos 18 diplomatas (ou funcionários diplomáticos) que ajudaram a salvar vidas de judeus. É também o único nome de uma funcionária consular, e não de embaixador ou cônsul, o que só aumenta a dimensão do risco que correu: afinal, ela enfrentou o nazismo sem gozar das imunidades garantidas aos outros diplomatas homenageados, todos de escalões mais altos. Creio que muitos entre nós conhecemos essa mulher como “o anjo de Hamburgo”. Com certeza essa valorosa mulher tinha algo de Hannah Arendt.

Na qualidade de cônsul adjunto em Hamburgo, Guimarães Rosa concedia vistos nos passaportes dos judeus facilitando sua fuga para o Brasil. Os vistos eram proibidos pelo governo brasileiro e pelas autoridades nazistas, excepto quando o passaporte mencionava que o portador era católico. Sabendo disso, a mulher do escritor, D. Aracy, que preparava todos os papéis, conseguia que os passaportes fossem confeccionados sem mencionar a religião do portador e sem a estrela de David que os nazistas pregavam nos documentos para identificar os judeus. Nos arquivos do Museu do Holocausto, em Israel, existe um grosso volume de depoimentos de pessoas que afirmam dever a vida ao casal Guimarães Rosa. Segundo D. Aracy, que compareceu a Israel por ocasião da homenagem, seu marido sempre se absteve de comentar o assunto já que tinha muito pudor de falar de si mesmo. Apenas dizia: "Se eu não lhes der o visto, vão acabar morrendo; e aí vou ter um peso em minha consciência."

Drummond dizia que escrever “é a arte de cortar palavras”, uma definição da qual eu discordo, afinal, depois de ter ‘conhecido’ o grande Guimarães Rosa, para quem cada palavra era especial. Não se pode mesmo simplificar. Concordo com Antônio Cândido que disse certa vez “que sua obra assemelhava-se a do compositor húngaro Béla Bartók. Assim como no trabalho de Bartók, há um quê de rústico na linguagem de Rosa, onde tudo se transforma em um significado universal graças à invenção de uma linguagem que não existe. E aqui se poderia aplicar o enunciado latino nulla rosa est, usado pelo Abade Abelardo no século II e depois pelo lingüista Humberto Eco na ocasião do lançamento do livro Em nome da Rosa, para se referir não só as coisas desaparecidas, mas também as inexistentes. Para essas coisas valem os nomes.
*Este texto é uma homenagem ao cinquentenário do livro Grande Sertão: Veredas e ao célebre João Guimarães Rosa.
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Raoul Wallenberg

Uma rua do XIX bairro de Paris vai ostentar o nome de Raoul Wallenberg, o diplomata sueco considerado Justo das Nações por ter salvo a vida de dezenas de milhares de judeus, durante a II Guerra Mundial, na Hungria.
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Behiç Erkin

Reproduzindo o apelo de site Morasha:
O Jornal Salom de Istambul anuncia o livro do escritor Emir Kivircik, "Behiç Erkin". O Sr, Behiç (1876-1961) foi embaixador da Turquia na França de Vichy, salvando a vida de 15.000 judeus turcos. O Yad Vashem, que já está a par do caso, necessita o testemunho de 3 sobreviventes ajudados pelo Embaixador Behiç, para atribuir o título de Justo. Caso alguém tenha alguma informação a respeito do Embaixador Behiç, por favor, entrar em contato com o Morashá, através do e-mail: morasha@morasha.com.br
publicado por MJ às 19:44
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